Análise Teclado James Donkey 619 TKL

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James Donkey. Uma marca que eu não consigo levar a sério, pelo amor de Deus, troquem esse nome. Uma marca de periféricos que começou na China há poucos anos com a venda do seu famoso mouse James Donkey 007:


Sim, este mouse se chama James Donkey 007 e copia até mesmo o logotipo do 007

Após o sucesso que a marca teve com o seu mouse, ela começou expandir seus negócios, lançando novos mouses, remarcando eles para outras marcas, tal como o Multilaser Warrior MO247 vendido aqui no Brasil, e recentemente entrou para o ramo de teclados.

O James Donkey 619 é vendido em duas variantes, um modelo “TKL” (compacto) e outro modelo “full-size” (com numérico).

O que temos aqui é o modelo compacto, James Donkey 619 TKL (também chamado de James Donkey 619 – 87), sem a presença do numérico. Vamos então começar a análise antes que eu xingue a marca pelo nome de novo?

Construção Externa

O James Donkey 619 é um teclado extremamente marcante em seu visual. Ele realmente parece um brinquedo ao vivo, e isso pode ser legal para alguns, enquanto pode virar motivo de deboche para outros.

Um dos grandes diferenciais do James Donkey 619 são as suas laterais recortadas e pintadas de amarelo mostarda. Embora muitos gostem dessa lateral, é nela que se encontra a sua maior falha:

Notaram o erro? Agora vamos corrigir ele:

Pronto, melhorou bastante. Brincadeiras à parte, as saias laterais do James Donkey 619 possuem propósito exclusivamente estético, dando ao teclado uma certa aparência de “brinquedo”, o que pode ser interessante para parte do público e outros podem odiar.

Esta placa é removível e para tirar ela, basta remover quatro parafusos Torx e dois parafusos Philips embaixo de seus pés de borracha:

Assim como diversos outros teclados mecânicos, o James Donkey 619 possui a sua backplate (uma placa de aço/alumínio que suporta os switches mecânicos) exposta — enquanto muitos outros teclados mecânicos escondem esta placa de metal embaixo de uma capa de plástico. Ele é um teclado com design do tipo “teclas flutuantes”.


Crédito da imagem para
Lepidus do fórum Adrenaline

Embora a marca faça marketing em cima dessa placa de aço, repito o que sempre postei nas análises de outros teclados: há um “truque” por trás disto e a placa de suporte exposta não faz o James Donkey 619 ou qualquer outro teclado ter uma “durabilidade” superior a teclados mecânicos que não sejam assim.

No verso do teclado, há dois pés emborrachados e os dois ajustes de altura localizados em suas saias laterais, os quais não são emborrachados e não impedem o teclado de escorregar pela mesa quando usados:


Suas keycaps (esse plástico com algo escrito em cima) são produzidas pela mesma fabricante de maioria das keycaps Double-Shot usadas pelo mercado chinês, é a mesma fabricante que a usada pela Motospeed, Redragon e diversas outras marcas.

São keycaps com um bom material e extremamente resistentes a desgastes graças ao método de impressão Double-Shot, mas há algo diferente no James Donkey 619: elas são amarelas:


A própria camada usada para fazer a inscrição da tecla, é amarela, o que é um tanto estranho. Algo negativo que acaba ocorrendo devido a isto, é que a legibilidade das teclas quando desligado, fica ainda pior.



Acima desligado, abaixo ligado. A iluminação do James Donkey 619 é quase invisível em ambientes claros

Falando sobre legibilidade, a fonte utilizada pela James Donkey é um pouco diferente da fonte usada pela maioria das marcas chinesas. Não é tão “quadrada” quanto a fonte normalmente vista em teclados chineses, mas é ainda menor do que a fonte usada por eles e por isso sua legibilidade é ruim.

Ah, e conforme podemos notar acima, a fonte utilizada e a cor da iluminação, são diferentes das imagens divulgadas pela fabricante. Como podem ver, a iluminação do teclado é laranja (âmbar se preferir) e não amarelo como mostram as imagens em sites de vendas e na própria página oficial da James Donkey.


O teclado Ducky (primeiro) está com a cor laranja, o James Donkey 619 (meio) está na cor que vêm de fábrica e o CK104 (último) está na cor amarela

Diferente das imagens da fabricante, a iluminação é laranja e não amarela

O James Donkey 619 pode parecer um brinquedo em suas fotos, mas ao pegar ele na mão, nota-se que ele não é um. A brincadeira com a Caterpillar pode ter sido engraçada, mas ironicamente o teclado possui um nível de qualidade em seu exterior que faria jus à marca caso fosse vendido por ela.

Para um teclado de apenas US$ 50, estou impressionado, uma boa construção externa e keycaps de alta qualidade. Só precisam melhorar os pés de ajuste de altura, usar uma fonte decente e vender o teclado com a mesma cor de iluminação que mostram nas imagens.

Construção Interna

Em análises anteriores, indicamos qual era a OEM (a real fabricante) responsável pela manufatura de cada um dos teclados mecânicos aqui apresentados, mas não tenho ideia de quem seria a fabricante do James Donkey 619.

Não há informações se a marca possui fábrica própria ou se este processo é terceirizado para outras empresas. Vamos depená-lo então:

O James Donkey 619 é um teclado bem interessante. Há indicações de que esta placa é testada manualmente, pois há escritas com pincel atômico nela.

As soldas do teclado parecem bem feitas, possuem o brilho característico de soldas corretas e também não encontrei nenhum excesso, falta de solda ou solda fria em seus componentes:

O conector micro-USB do James Donkey é removível, o que pode auxiliar em reparos caso algum dia este venha a ser danificado, embora o mesmo use cola quente em seus cabos e não seja tão blindado como alguns outros teclados que já abri:

Para controlar o teclado, sua iluminação e supostamente suas macros, há uma controladora iTon iF87R8T61, supostamente um chip feito pela própria fabricante da placa do teclado, pois não encontrei informações sobre ele na Internet, além de um teclado coreano que usa a mesma controladora.

Este não me parece ser uma MCU de alta potência, então me pergunto como a James Donkey implementou um software com tão pouco…

A unidade que recebemos do James Donkey 619 utiliza switches Gateron e está disponível em diversas variantes, como Blue, Brown, Black e Red.

A Gateron é uma das fabricantes de clones Cherry MX mais respeitadas atualmente. Ela possui um controle de qualidade superior ao da Outemu e muitos especialistas preferem a resposta do Gateron Blue que temos aqui ao switch Cherry MX Blue, por ser mais acentuado e um pouco mais barulhento, embora tudo isto seja bastante subjetivo.

O problema, é que o James Donkey 619 também é vendido em modelos Kailh, que são inferiores em qualidade, então é bom ter cuidado.

No fim, a construção interna do James Donkey 619 é bastante caprichada e ele utiliza componentes de alta qualidade para um teclado de apenas US$ 50.

Recursos e Extras

O James Donkey 619 parece um teclado simples, mas esconde um número interessante de recursos, alguns bem implementados, outros nas coxas…

Algo que estranhei no James Donkey 619 são o quão fracos os LEDs são comparados com outros teclados mecânicos. Mesmo com o brilho no máximo, o brilho é consideravelmente menor do que outros teclados:


Em ordem: Ducky One TKL RGB, James Donkey 619-87 e Motospeed CK104

O James Donkey 619 conta com alguns efeitos de iluminação, mas muitos destes acabam diminuindo ainda mais a intensidade dos LEDs do teclado, sendo que acabam invisíveis em ambientes claros.

Agora, um detalhe que chamou a minha atenção, foi o cabo e o conector USB deste teclado:

Ao invés de um cabo micro-USB com um conector reto, o conector do James Donkey 619 é curvado e sinceramente parece ser o melhor conector removível que já vi em um teclado. Encaixa facilmente, passa uma tremenda impressão de segurança e caso o cabo seja puxado, não vai ser o conector interno do teclado que irá quebrar. Uma solução melhor do que o que vejo no Ducky One TKL RGB, no HyperX Alloy FPS e no CM MasterKeys Pro M

Um diferencial do James Donkey 619 sob seus concorrentes, é que este “supostamente” conta com um software para configuração e criação de macros. Vamos abrir ele:

Além da música extremamente irritante, que reinicia mesmo mutando no software após reabrir ele, o nosso teclado não é reconhecido pelo software, embora conste na lista de dispositivos disponíveis.

Tentamos múltiplos computadores, atualizar o firmware (que não reconhece o teclado), enviamos mensagens para as três contas do Facebook da empresa e mandamos e-mails para ela, sem sucesso. Entrei em contato com outros donos dos teclados da James Donkey e apareceram casos idênticos.

Felizmente, o Arthur Pinheiro, que enviou este teclado, disponibilizou o irmão dele, o “James Donkey 619 – No Light” para vermos como o software “deveria” funcionar:

O software da James Donkey é um fiasco. Além de ser pesado e exigir conexão com a Internet, o próprio programa do teclado contém propagandas e um loop de 20 segundos de uma música extremamente irritante. Para completar o pacote, só precisava vir com o Baidu PC Faster.

O software da James Donkey é um fiasco

Mas, vamos ver o que é possível fazer nele:

É possível configurar diversas teclas (não todas) do teclado para corresponderem a outras, teclas, botões do mouse, botões multimídia ou até mesmo realizar macros. Mas, como será que é esta interface de macros?

Opa! Algum incompetente esqueceu de traduzir ela… Enfim, o software da James Donkey possui uma configuração bastante simples de macros, com a possibilidade de editar estas após terem sido gravadas, o que é útil, mas ele seria ainda mais prático se estivesse em inglês.

Mas, esta versão mostrada acima é o modelo sem iluminação. A partir desta foto disponibilizada pela James Donkey, o modelo iluminado deveria ter mais recursos, embora não podemos garantir que o software vai reconhecer o teclado… Aliás, no caso de uma pessoa que encontrei, não reconheceu.

O James Donkey 619 não é tão bom em seus recursos quanto as suas especificações indicam. A iluminação fraca pode afugentar vários usuários, além de prejudicar os efeitos de iluminação do teclado. Além disso, a incompatibilidade do software com o teclado e a falta de suporte técnico da empresa são ultrajantes.

E isto é uma tendência entre empresas chinesas no geral, não apenas a James Donkey. Colocar diversos recursos, mas não se importar com a qualidade destes recursos. As empresas deste ramo precisam saber que se for para fazer algo, faça bem feito ou nem faça, pois isto é um desrespeito ao cliente, que poderá comprar o teclado e se decepcionar pelo recurso mal feito e pelo suporte inexistente da empresa.

Antes de projetar um produto, aprendam a ter responsabilidade.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Recursos e Extras

Preço

Conclusão

O James Caterpi–, digo, James Donkey 619 pode parecer um brinquedo, mas é um teclado sério. Uma ótima construção externa, keycaps Double-Shot e switches mecânicos de alta qualidade da Gateron, além de um preço bastante convidativo de US$ 50.

Mas, a péssima legibilidade das teclas e iluminação fraca foram decepcionantes, chegando a ser pior que muitos concorrentes de sua faixa de preço nestes aspectos.

O James Donkey 619 não será o teclado para quem está procurando por software. Nossa unidade não foi reconhecida pelo software, não conseguimos suporte da marca e não podemos garantir que a sua unidade irá funcionar nele caso venha a comprar um. E mesmo se funcionar, esse software é ruim.

O James Donkey 619 é um ótimo teclado, mas não é para todo mundo

Ele é um teclado com um visual diferenciado, alta qualidade e um bom preço. E para quem procura apenas isto, ele será uma boa escolha.

Mas, quem procura um teclado com uma iluminação bem definida, iluminação RGB e/ou um software aceitável, deve manter distância dele e partir para outras alternativas, tal como o Drevo Tyrfing, Mantistek GK2, Motospeed CK104, Motospeed K87, e tantos outros bons teclados disponíveis para importação.

Agradeço agora o Arthur Pinheiro, que emprestou este teclado, e espero que a James Donkey continue fazendo produtos, mas comece se importar mais com a qualidade dos recursos implementados e com o suporte ao consumidor.

PRÓS

  • Keycaps Double-Shot.

  • Ótima Construção Externa.

  • Ótima Construção Interna.

  • Preço acessível.

  • Switches de alta qualidade Gateron.

CONTRAS

  • Diferente das imagens, os LEDs são Laranjas e não amarelos.

  • LEDs fracos em comparação com outros teclados mecânicos.

  • Péssima legibilidade nas teclas.

  • O pior software que já usei. Parabéns.




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