Análise Mouse Motospeed V20 – Adrenaline

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Motospeed. Uma marca chinesa que vem conquistando o mercado Brasileiro, mesmo com nenhuma loja vendendo oficialmente os produtos dela no nosso país.

A razão para a Motospeed estar tão presente é simples: ter combinado preços competitivos com alta qualidade e designs que chamam a atenção do público. A nossa análise do Motospeed V30 prova isto.

Já o Motospeed V20 mal foi lançado e já há muito mais gente interessada nele do que no seu irmão V30, já que este possui um visual mais agressivo que seu “antecessor”.

Mas será que o V20 melhorou algo em comparação com o V30? Ele não é apenas um V30 mais enfeitado? Como se compara com mouses de outras marcas? Vale à pena trocar um V30 pelo V20? Veremos.

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, o que chamamos de pegadas. As três principais são:

Uma das concepções mais comuns e erradas do Motospeed V20, é que este seja similar ao Logitech G900 em ergonomia, já que claramente copia alguns elementos de seu design:

Mas, isto está completamente errado. O Motospeed V20, para início de conversa, não é ambidestro. Sua lateral direita claramente favorece destros, ele é mais alto que o Logitech G900 e também mais pesado, com 129 gramas (sem o cabo).

O Motospeed V20 não é nada similar ao Logitech G900

Aliás, um dos erros de design do Motospeed V20 ocorre justamente por tentar copiar o Logitech G900. Ao copiar a estética do G900, a Motospeed colocou as “entranhas” para baixo. Mas esta mudança, aliada à maior altura do V20, causa problemas com pessoas com a pegada Palm, pois estas entranhas entram em contato com a mão:

Não é tão “sério” quanto parece, não chega ao ponto de causar desconforto como ocorre, por exemplo, no Sharkoon SGM1, e o usuário pode se acostumar após alguns dias de uso, mas algumas pessoas podem se incomodar com isto.

Já a pegada Claw não tem nenhum problema com este mouse:

E usuários da pegada Fingertip são um pouco mais complicados, pois podem acabar não gostando das suas 129 gramas. Remover o chumbo de 20 gramas do interior do mouse ajuda bastante neste caso, deixando o mouse com 109 gramas e muito mais aceitável para quem possui esta pegada.


Agora, o que realmente separa bastante o Motospeed V20 do Logitech G900 é a sua iluminação. São 15 LEDs que fazem este mouse ter uma iluminação bastante chamativa, o que pode atrair a atenção de alguns, enquanto outros podem considerar esta “espalhafatosa” demais.


Em ordem: CM MasterMouse Pro L, Motospeed V20, Logitech G900

Embaixo do Motospeed V20 encontramos dois pés de teflon de tamanho razoável, que garantem um bom deslize, melhor distribuídos do que seu irmão Motospeed V30 por exemplo. Outra melhoria, é que o sensor do mouse está centralizado, diferente de seu irmão.

Falando nisso, uma prática que a Motospeed faz e que nunca vi outra fabricante fazer é colocar adesivos plásticos sobre os teflons, supostamente para proteger estes. Nada contra isto, mas muitos usuários acabam usando os mouses da marca sem remover eles, o que acaba prejudicando bastante o deslize do mouse:

Outra diferença, está nos botões laterais. Os mesmos possuem uma melhor resposta comparado ao seu irmão V30. Mas o que acaba atrapalhando são os “grips” de plástico que a marca inseriu nos mesmos, os quais não são nada confortáveis ao tato, podendo ser até irritantes para alguns usuários.

O Motospeed V20 possui melhorias em sua construção externa comparado ao seu irmão V30. Teflons melhor posicionados, sensor centralizado e botões laterais mais fáceis para pressionar. Ao mesmo tempo, ter copiado a estética do Logitech G900 acabou sendo um erro, seus recortes podem ser irritantes para alguns usuários e os grips nos botões laterais são horrendos.

No mais, não há melhoras na qualidade do plástico, o qual é inferior perto de mouses de algumas fabricantes. Ele continua tendo pedaços de chumbo apenas para dar peso dentro do seu interior e sua construção externa é adequada para um mouse da faixa de US$ 20, mas nada excepcional.

O Motospeed V20 melhorou algumas coisas e piorou outras

No fim, o que me decepciona é ver que o Motospeed V20 melhorou algumas coisas e piorou outras. Há várias coisas no exterior dos mouses da Motospeed que poderiam ser melhoradas, mas mesmo com suas falhas, ele continua sendo aceitável para o seu baixíssimo preço.

Construção Interna

A Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

Algo comum em mouses chineses é serem caprichados por fora, mas extremamente mal feitos por dentro. Será que o Motospeed V20 é igual outros mouses chineses da Aliexpress?

Dentro dele temos uma excelente construção interna e quase idêntica ao Motospeed V30, comparável à de mouses da faixa de R$ 150~200. É possível afirmar, com base nisto, que o Motospeed V20 é um mouse feito para durar.

O problema, é que não podemos garantir que esta será sempre a construção do mouse. A própria Motospeed que utiliza propagandas dizendo que o V30 teria “durabilidade de 50 milhões de cliques”, está trocando por modelos de switches OMRON D2FC-F-7N (20M) e HUANO Blue, que são mais baratos e um pouco inferiores, mas mantendo a informação antiga (e agora falsa) na caixa e no material publicitário.




Créditos para
Rafael Souza da Silva, membro da comunidade do Adrenaline


Créditos para Jeferson Dal Pont do grupo Periféricos High End

Não podemos garantir que o Motospeed V20 ou Motospeed V30 que você comprar terá a mesma construção do que o mouse que está sendo analisado, pois a própria marca está trocando os componentes de lotes recentes por modelos inferiores e retirando recursos sem dar explicações e sem modificar o material publicitário. E isso me irrita sem fim.

Desempenho

O Motospeed V20 utiliza o sensor Pixart PMW 3325, que pode ser uma modificação do Pixart PMW 3320 ou então seria a versão comercial do AVAGO AM010 (que é exclusivo da Logitech), mas não tenho certeza qual seria.

O que realmente diferencia o Pixart PMW 3325 do PMW 3320 utilizado pelo Motospeed V30 é que este permite uma maior customização de DPIs e também um valor máximo maior, de 5000 ao invés de 3500 DPIs. Mas, o que realmente é interessante, é que o Motospeed V20 não possui interpolação e opera melhor do que seu irmão em DPIs altas.

Diferente do Motospeed V30, todas as DPIs do V20 são reais

Dentre as novas DPIs, estão inclusos valores populares como 400 e 800, que seu irmão não possui. Para alguns, isso é razão o suficiente para considerar o V20 superior ao V30.



Não se enganem, as DPIs acima de 3500 do Motospeed V30 são “falsas”! Ele não possui mais DPIs “reais” que o V20!

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad ASUS Strix Glide Speed, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados no mousepad ASUS Strix Glide Speed, em 1000 Hz:

Resultados perfeitos, sem falha alguma. Já o próximo teste é o teste de aceleração.

O ideal sempre é que: se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Motospeed V20 usando o mousepad ASUS Strix Glide Speed, em 1000 Hz:

Um resultado perfeito, o que é impressionante para um mouse tão barato. Nenhum dos 27 mouses baratinhos que analisamos sequer chegou perto disso.

É visível que a Motospeed realmente caprichou no sensor deste mouse, o nível de qualidade deste sensor e a implementação da Motospeed fazem este mouse chegar ao nível de vários mouses de R$ 150 que temos no mercado Brasileiro, por uma pequena fração do preço.

Vamos então partir agora para o software.

Na tela inicial, temos algumas das principais funções deste, tal como a configuração de botões, escolha de taxa de atualização e escolhas de DPIs. A única diferença visível em comparação com o Motospeed V30, é que temos a opção de definir uma cor para cada uma das DPIs configuradas, sendo então representada no LED que fica no meio do mouse.

A única diferença entre o V20 e o V30, é que agora podemos definir a cor de um LED para cada DPI

Prosseguindo, temos as configurações que podem ser feitas em cada um dos botões do mouse:

Além de funções básicas, é possível programar botões para funções multimídia (ex: Pause, controle de volume…) e também há outras funções especiais:

Fire Key: Pressiona uma certa tecla um número X de vezes.
Single Key: Pressiona uma tecla uma única vez.
Combo Key: Segura CTRL + SHIFT, ALT ou Windows ao pressionar o botão. Para quê razão? Também não sei, não é possível definir um atalho para Windows+D por exemplo.
Macro Key: Executa uma macro, veremos em seguida como fazer estas.

Clicando na engrenagem no software da Motospeed, temos acesso às “configurações avançadas do software”:

No lado esquerdo, nada de mais, apenas as configurações de mouse disponibilizadas pelo próprio Windows. No lado direito, um sistema extremamente simples e não muito intuitivo de macros, mas que nas mãos certas pode ser eficiente. Claro, não é completo como o que marcas como Corsair, Logitech, Razer e Steelseries oferecem, mas para um mouse tão barato, está aceitável.

Agora, vamos voltar para a aba principal e clicar em “Marquee“, que controla a iluminação do mouse. Sim, alguém da Motospeed, ao invés de chamar o controle de iluminação de “Lightning“, preferiu optar por um termo sem relação alguma.

Aqui, é possível configurar as cores de cada um dos 14 LEDs RGB que este mouse possui ou então configurar alguns efeitos de iluminação, os quais sinceramente são bastante caprichados para um mouse tão barato.

Mas, esta também é a parte onde o software da Motospeed tem suas falhas. Para início de conversa, caso você queira configurar uma única cor, é necessário clicar em cada um dos 14 quadradinhos que representam cada LED, e configurar a cor que você quer em cada um deles. A Motospeed poderia muito bem ter criado um efeito chamado “Single-Color” ao invés disso.

Teoricamente, há 5 efeitos de iluminação diferentes no Motospeed V20:

E assim como acontece em seu irmão Motospeed V30, no meu HTPC aparecem apenas 4 efeitos. A Motospeed ainda não consertou esse defeito do software e em alguns computadores podem aparecer menos efeitos do que o mouse realmente possui…

Mas então, vamos colocar o brilho em 6 (que deve ser o máximo) e aplicar um destes efeitos de iluminação! Peço perdão pela GIF mostrar o Motospeed V30, mas é porquê este problema já existia em seu antecessor e continua no V20


Não reparem que a cor trocou para vermelho, erro na gravação que foi feita posteriormente

Opa! O brilho do mouse diminuiu consideravelmente. Será que é algum problema no efeito? Não, o mesmo acontece em outros efeitos. Será que se eu trocar as cores resolve? Não. Há como resetar os efeitos de iluminação? Não.

Vamos então voltar para a tela de ajuste. Usar as setas do teclado não parece mudar nada, girar o scroll com o cursor em cima dos números também não faz nada. O que será que devo fazer? Entrar em contato com a loja que vendeu, já que o mouse parece estar com defeito?

Calma, há uma solução para isso, embora ela mostre que há um problema maior:

É preciso usar o scroll fora da caixa para que você possa ter acesso a valores maiores.

Os valores ficam escondidos e não há nenhuma representação de que utilizar o scroll disponibiliza valores maiores. Já teve gente me procurando exatamente por achar que o seu Motospeed V20 ou V30 estaria com defeito em sua iluminação, quando na verdade era isto. Três meses depois da análise do V30 e a marca ainda não consertou nada

Eu não sei nem o que falar, erros que já foram relatados para a marca, algo que reclamei três meses atrás na análise do Motospeed V30 e que poderia ser resolvido por qualquer programador que se preze em menos de 10 minutos… A única coisa que a marca fez foi remover a imagem que infringia direitos autorais, o resto continua o mesmo…

No final das contas, se ignorarmos os erros grotescos e o desinteresse da marca em melhorar ele, o software do Motospeed V20 é até “decente”. Há todas as funções consideradas essenciais no software de um mouse e maior parte destas são fáceis de configurar, porém, o sistema de controle da iluminação do mouse é um desastre e não parece que a Motospeed vai melhorar ele…

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Desempenho

Preço

Conclusão

O Motospeed V20 possui algumas melhorias em comparação com seu irmão V30. Um sensor mais preciso, centralizado, sem interpolação e com melhores escolhas de DPI, melhorias nos teflons e nos botões laterais.

O Motospeed V20 teria tudo para ser um mouse muito superior ao V30, mas no fim acabou sendo apenas um pouco melhor, pois possui problemas no acabamento que o V30 não tinha. E as melhorias que demonstramos na análise não são tão notáveis na prática.

O Motospeed V20 é uma excelente escolha para quem quer comprar um mouse barato e de alta qualidade. Mas, para quem já possui um Motospeed V30, não há muitas razões para trocar ele pelo novo Motospeed V20. Se quer algo melhor, compre de outra marca.

Embora seja seu diferencial, o maior erro do Motospeed V20 foi tentar ser uma cópia de segunda do Logitech G900, quando deveria ter se decidido entre copiar fielmente ou não copiar. As entranhas que não atrapalham no G900, são um problema aqui no V20, entrando em contato com a mão do usuário caso este tenha a pegada Palm.

O Motospeed V20 é um excelente mouse para seu preço de US$ 20, mas estou decepcionado em ver que a Motospeed não se esforçou muito para criar um mouse realmente melhor do que o V30 e que o principal diferencial do V20, que é copiar a estética do Logitech G900, gerou problemas para ele.

Ainda assim, não existem mouses no mercado com o mesmo nível de qualidade que ambos o Motospeed V20 e Motospeed V30 apresentam por suas faixas de preço e certamente ambos são os dois melhores mouses em termos de Custo x Benefício que conheço, mas sei que com um pouco de esforço a marca poderia fazer algo ainda melhor. Esse mouse é o “topo de linha” da Motospeed, mas não passa essa impressão.

O V20 é atualmente o melhor mouse da Motospeed, mas não se compara com mouses topo de linha de outras marcas

Antes de terminar a análise, quero falar sobre algo muito sério com o público. A Motospeed produz bons produtos, mas nada disso adianta se posteriormente a marca modificar estes produtos, diminuir a qualidade, retirar recursos e deixar com o mesmo nome.

O que está acontecendo é que apareceram lotes diferentes do Motospeed V30, alguns com componentes de menor qualidade, tal como switches com menor expectativa de durabilidade, o que até é aceitável pois ambos o OMRON 20M e HUANO Blue são bons, mas o que realmente me irritou bastante, foi a marca começar a vender modelos do V30 sem suporte ao software.



Créditos para Jeferson Dal Pont do grupo Periféricos High End


Créditos para Rafael Souza da Silva, membro da comunidade do Adrenaline

Retirar recursos importantes de um produto que já se instalou no mercado, que já possui diversas análises e quando pessoas podem estar comprando o V30 justamente por “ter software”, é algo extremamente baixo. Isso é uma falta de vergonha e seria passível de processos judiciais caso a Motospeed estivesse instalada em outros países além da China.

Respeito e gosto da qualidade dos produtos da Motospeed, mas peço que a empresa também respeite seus clientes e respeite canais de mídia como o nosso, que acabam passando como “mentirosos” ao mostrar um produto que pode ser bem diferente do que o cliente está comprando.

E como já falei na análise do Motospeed V30, estes mouses da Motospeed são excelentes mouses, mas carregam um risco consigo. Há mouses que conseguem competir com eles no Brasil, tal como o CM MasterMouse S, Logitech G203 e Tt eSports Ventus R, que possuem um custo superior, mas são melhores em qualidade e possuem suporte em terras brasileiras, diferente do Motospeed V20 defeituoso que o meu amigo Paulo Luigi do canal Luigitec recebeu:

PS: O “vidrinho” é a lente do sensor, ela estava frouxa, indicando defeito no mouse.

Felizmente a unidade que analisamos não possui este defeito e nem problemas com o LOD como o do Luigi, mas o Controle de Qualidade da Motospeed não anda muito bem ultimamente e não vale à pena comprar estes mouses pelos R$ 150 ou mais que alguns vendedores pedem no Mercado Livre… Há mouses melhores nessa faixa de preço.

Agradeço agora meu amigo Arthur Pinheiro que emprestou o mouse desta análise e espero que a Motospeed comece a tomar mais cuidado com suas ações, pois assim como ela cresceu rápido demais, ações erradas podem levar empresas ao brejo rapidinho…

PRÓS

  • Excelente Construção Interna

  • Ótima Costrução Externa

  • Ótima precisão, com um sensor Pixart PMW 3325 bem implementado

  • O melhor Custo x Benefício que já vi em um mouse

  • Software para configuração

CONTRAS

  • Erros grotescos na interface gráfica do software

  • Os detalhes estéticos mal copiados do Logitech G900, podem causar desconforto para alguns usuários




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