Análise Mouse Elecom M-DUX70BK – Adrenaline

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Japão. Terra do sol nascente. Referência mundial quando o assunto é tecnologia, um país que é conhecido pelo que é capaz de criar, seja produtos que usamos no nosso dia a dia, estátuas de robôs gigantes em escala real, robôs gigantes capazes de lutar ou desenhos onde mulheres são molestadas por tentáculos.

Entre tokusatsus, dakimakuras, Gundam, Youtubers Virtuais e JoJo’s, o Japão é uma terra cheia de coisas estranhas e é por isso que eu gosto tanto dele.

E é justamente do Japão que veio o Elecom M-DUX70BK, o mouse mais bizarro que já vi até hoje:

A princípio serei honesto com o público, passei meia hora rindo da imagem deste mouse a primeira vez que o vi, pois, convenhamos, esse mouse é exagerado demais.

Mas, ao parar de rir, pensei: “E se esse mouse na verdade é bom? Será que estou apenas sendo preconceituoso pelo seu visual exagerado?”.

Nunca achei que teria a oportunidade de testar esse gadget exclusivo de terras nipônicas, mas por acaso do destino, consegui um. Se ele for bom, terei quebrado a cara e veremos recursos bastante interessantes que nenhum outro concorrente apresenta. Se for ruim, pelo menos a risada é garantida.

Antes de começarmos a análise, vou ter que introduzir as funções e a razão de existência desse Frankenstein. E caramba, por onde começar…

Primeiro, vamos expor todos os botões que este mouse possui, que não são poucos:

  • 6 botões no topo
  • 3 botões no scroll (dois horizontais)
  • 9 botões na lateral esquerda
  • 3 botões na lateral direita
  • 2 scrolls

Parece ridículo, é exagerado, mas há uma razão para todo esse exagero: o Elecom M-DUX70BK pode ser utilizado em dois computadores ao mesmo tempo.

O Elecom M-DUX70BK pode ser utilizado em dois computadores ao mesmo tempo

Sim, meus amigos, este mouse possui um receptor wireless (mas ele não é considerado um mouse wireless por não ter bateria!) que pode ser conectado em um segundo computador e você pode alternar entre estes computadores ou até mesmo usar os dois ao mesmo tempo.


Se tiverem dificuldade em diferenciar cada computador, reparem o Indicador de Mana e a Iluminação

Funciona? Sim e muito bem, especialmente para utilizar em conjunto com personagens que devem trabalhar em duplas para maior eficiência.

Alguém poderia pensar “Mas como diabos alguém vai conseguir controlar dois computadores ao mesmo tempo?”, ao que eu posso responder: você esqueceu de onde esse mouse veio?

 

Brincadeiras à parte, o Elecom M-DUX70BK realmente foi projetado para jogadores que utilizam múltiplos computadores ao mesmo tempo, o que explica o exagero de botões e a presença de dois scrolls.

Claro, isto não é nada novo, switches KVM existem há décadas, mas a solução da Elecom é feita para ser utilizada de forma rápida e permite o uso simultâneo, além de não precisar desta quantia absurda de cabos, uma vez que o segundo conector é conectado via wireless.

Ou seja, este é um mouse especialmente para quem fica gerenciando múltiplas contas ao mesmo tempo (Multiboxing), em alguns casos para revender estas mais tarde. E quando olhamos sob esta perspectiva e pelo quão lucrativo esta atividade pode ser para alguns, o Elecom M-DUX70BK deixa de ser uma piada.


Anime: No Game No Life

Sei que muitas pessoas que fazem isso utilizam aplicativos que permitem múltiplas janelas do mesmo jogo serem abertas, mas há jogos que tentam dificultar ao máximo esse tipo de prática. Porém, não há como bloquear quando o usuário utiliza dois computadores diferentes e bloqueio de conexão por IP não é uma opção, pois um único IP pode ser compartilhado por vários computadores (ex: apartamentos, lan-houses, etc…).

Agora que sabemos a finalidade deste mouse, podemos notar que essa não é uma aberração vinda da mente pervertida de alguém, e sim uma ferramenta interessante para um pequeno nicho de jogadores, os quais não são tão comuns aqui pelo ocidente e explica a razão para o foco de mercado deste mouse ser países da Ásia.

“Mas wetto, de que adianta o mouse trocar de computador se o teclado ficar no mesmo?”

Não se preocupe, a Elecom também faz teclados com o mesmo recurso:

O que meu amigo que esteve no Japão avisou, porém, é que este teclado tem erros bizarros quando conectados em dois computadores ao mesmo tempo e por isso não é recomendável.

Vamos finalmente começar a análise!

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, o que chamamos de pegadas. As três principais são:

Como já é possível ver a quilômetros de distância, o Elecom M-DUX70BK é um mouse estranho, e pela aparência aparenta ser desconfortável, mas na verdade o que lhe torna desconfortável não é sua ergonomia ou seu visual.

Um gravíssimo problema deste mouse é que seus cliques não respondem muito bem em locais além da ponta, o que atrapalha muito alguns usuários.

O resultado é que embora as pegadas Claw e Fingertip encaixem perfeitamente nele, os cliques não ficam tão legais, forçando usuários a utilizarem a pegada Palm para terem bons cliques:


Já a pegada Palm também apresenta problemas. O Elecom M-DUX70BK pode parecer um Golias em imagens, mas ao vivo não é um mouse muito comprido, o encaixe de um dos botões entra em contato com minha mão e meu mindinho fica dobrado na lateral direita:



O que notei, é que o Elecom M-DUX70BK seria consideravelmente mais confortável para a pegada Palm se fosse um pouco maior, talvez 20%. Mas, na verdade, o problema não é o mouse “ser menor do que deveria ser” e sim minha mão ser maior do que a do público para o qual foi projetado.

O Elecom M-DUX70BK seria mais confortável se fosse 20% maior… ou se minha mão fosse 20% menor.

Conforme já expliquei no início da análise, este é um mouse desenhado por japoneses e vendido no Japão e outros países da Ásia e é comum asiáticos terem mãos menores.

E isto não é “achismo”, é fato pois já houveram periféricos no passado que tiveram que ser adaptados às menores mãos de usuários japoneses, inclusive agradecemos por terem ajudado criar um dos melhores formatos de controle até hoje:


Esquerda: Controle original do primeiro Xbox, vendido nos EUA e no resto do mundo.

Direita: Controle do primeiro Xbox projetado para o Japão e posteriormente vendido no mundo inteiro.

Mas o ponto a que quero chegar é que para o usuário japonês que costuma ter mãos menores, este é um mouse confortável para a pegada Palm, enquanto para ocidentais com mãos maiores, não é nada confortável.

Agora vamos verificar os botões deste mouse, que não são poucos:

Na lateral esquerda temos 9 botões configuráveis, todos tendo um excelente clique e resposta, mas, estes botões laterais são demasiadamente pequenos, o que dificulta a memorização e utilização destes, especialmente por quem possui mãos maiores.

Eu não entendo porquê algumas empresas continuam tentando “criar” novos estilos de botões, quando o numérico apresentado pelo Razer Naga e copiado por diversos concorrentes, é a melhor opção.

Também, há um scroll em sua lateral (não são dois!), o qual é fácil utilizar, não atrapalha a ergonomia e é mais prático do que achei que seria.

No topo, temos um botão ao lado do esquerdo, o qual é fácil para pressionar e possui uma boa resposta. Há dois botões no meio que podem ser configurados para a função que o usuário preferir (no meu caso, ativar e desativar o PC1 e PC2) e também um botão perto do scroll, também configurável.

Além destes, há botões horizontais no scroll, que podem ser pressionados empurrando o scroll para a esquerda ou direita.

Agora, o que realmente complica são estes três botões na direita do mouse:

A resposta dos mesmos é horrível, são duros e não indicam corretamente quando foram pressionados. Não é nada intuitivo apertar eles durante jogos e por isso acabam sendo úteis apenas para funções pouco utilizadas (ex: multimídia).

Já o acabamento do mouse em si é bastante caprichado. A maior parte de sua estrutura é feita de um plástico fosco de alta qualidade, resistente a desgaste, enquanto que o único acabamento especial está em seu apoio para o dedão:

O que temos aqui é um acabamento emborrachado bastante confortável, similar ao que o Logitech G502 utiliza. Pode ser confortável, mas não sei se será muito resistente ao tempo.

Embaixo do Elecom M-DUX70BK encontramos uma quantia bastante respeitável de teflon, garantindo um excelente deslize ao mouse, mesmo com o seu tamanho. Também aqui encontramos o encaixe para o receptor que será conectado no segundo computador.


Alguém poderia ter a seguinte ideia: “Mas e se eu conectar o mouse em um Powerbank, ele não vai virar um mouse wireless?”, ao que posso responder: não funciona, o mouse precisa ser reconhecido por um computador para funcionar:

O Elecom M-DUX70BK é um mouse interessante, com materiais de alta qualidade em seu acabamento, mas a falha em seus cliques, o tamanho reduzido para se adequar ao público asiático e alguns pequenos problemas em outros botões lhe tornam um mouse bastante difícil para recomendar, especialmente quando concorrentes como o Corsair Scimitar e Razer Naga 2014, acabam sendo extremamente superiores na questão de conforto.

Construção Interna

A Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

O Elecom M-DUX70BK é um mouse que foi projetado por japoneses, então provavelmente veremos componentes de alta qualidade no seu interior:

O Elecom M-DUX70BK faz bastante uso de botões Square “genéricos”, que normalmente seriam críticas em outros mouses, mas a excelente resposta dos mesmos e a coloração branca de seus componentes, remete muito aos botões deste tipo que a própria OMRON produz, e que são bastante superiores a outros concorrentes em qualidade.

O único problema, é que codificador de scroll do mouse não possui nenhuma identificação, o que é preocupante, pois normalmente apenas marcas de baixa qualidade não colocam identificação neste componente.

Desempenho

Elecom M-DUX70BK utiliza o sensor Pixart PMW 3310, consideravelmente superior às #$@&%* de sensores Philips da linha Razer Naga e também superior ao sensor do Logitech G600, mas tecnicamente um pouco inferior ao sensor do Corsair Gaming Scimitar. É um sensor topo de linha utilizado por marcas como a Steelseries e ZOWIE.

Todos os testes foram realizados utilizando um mousepad ASUS Strix Glide Speed, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados no mousepad ASUS Strix Glide Speed, em 500 Hz:

Resultados bons, embora existam algumas avariações em alguns momentos. Já o próximo teste é o teste de aceleração.

O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Elecom M-DUX70BK usando o mousepad ASUS Strix Glide Speed, em 500 Hz:

Um resultado perfeito, o que chega até ser estranho para um mouse tão “diferente”. Não sei quem irá utilizar um mouse destes para jogar FPS competitivamente, mas a precisão do mouse não irá lhe atrapalhar.

Porém, boa sorte em achar um jogador sério de FPS que vá querer jogar em um mouse desengonçado e com problemas nos cliques como este…

Então vamos finalmente ao software do mouse:

Para minha surpresa, o software não está em um inglês todo quebrado e só encontrei 2 ou 3 erros em sua interface. Mas enfim, a interface do Elecom M-DUX70BK possui diversos elementos visuais para deixar esta “bonitinha”, mas no final é relativamente minimalista e fácil de entender.

Na parte de baixo, temos as configurações de cada um dos 4 níveis de DPI que podem ser configurados no mouse. Ao lado, configurações de taxa de atualização (que curiosamente só vai até 500 Hz), ajuste do LOD do mouse (útil se o mouse apresentar algum problema com alguma superfície) e a opção para ativar um OSD quando alguma mudança for feita em suas configurações.

O interessante mesmo está na lateral direita. Aqui podemos configurar cada um de seus botões e scrolls para diversas funções:

Basicamente é possível configurar os botões e scrolls para:

  • Funções do mouse.
  • Funções do scroll.
  • Opções de DPI.
  • Responder como se fosse uma tecla do teclado.
  • Troca de Perfis.
  • Gerenciamento de volume.
  • Funções multimídia.
  • Teclas de atalho (incluindo programas em específico).
  • Troca de computadores.

Dos quais, as funções “switch PC enable“, que liga ou desliga o mouse em um dos computadores, e “Press Hold to switch“, que troca de computador enquanto este botão estiver pressionado, são as mais interessantes.

Se tiverem dificuldade em diferenciar cada computador, reparem o Indicador de Mana e a Iluminação

Após configurado o mouse, o sistema de troca de computadores é extremamente simples e prático de usar, não é difícil fazer funções simples e com o tempo, um jogador pode gerenciar os dois computadores ao mesmo tempo, especialmente se um destes trabalhar como suporte.

O sistema de uso simultâneo é simples e funciona muito bem

Agora vamos voltar ao menu principal para mostrar outra opção interessante.

O Elecom M-DUX70BK permite que cada um dos dois computadores onde está conectado, tenha uma configuração diferente. Por exemplo, pode ser que o scroll da lateral no PC1 faça seu personagem pular, enquanto que no PC2, o scroll controle o volume.

Ou ainda, você pode configurar botões para estarem ativos apenas em um único computador. Por exemplo, um dos botões laterais realizar uma macro no PC2 e nenhuma ação no PC1. É um pouco difícil explicar, mas nas mãos de alguém competente e que entenda as mecânicas de um certo jogo, um mouse destes pode permitir que você controle, por exemplo, um Tank e um Healer ao mesmo tempo, cada um em PCs diferentes.

Mas embora possa parecer que este seja um mouse que “jogue sozinho”, isto não é verdade e, para alguns usuários, pode até ser um ponto negativo para o M-DUX70BK. Este modelo, ao contrário de alguns de seus irmãos, não permite macros.

O Elecom M-DUX70BK não possui macros

Não se enganem, há como configurar seus botões para teclas do teclado, mouse ou multimídia, mas isto são binds, não exatamente macros. Uma macro é uma sequência pré-programada de ações que é realizada ao pressionar um botão. Por exemplo, ao invés de memorizar e ter a destreza para realizar uma sequência de botões rapidamente, macros permitem que esta sequência seja feita ao pressionar um único botão:

O Elecom M-DUX70BK não permite isso, enquanto que seus irmãos, alguns inclusive mais baratos, possuem este recurso. Não vamos entrar no mérito da legalidade deste tipo de recurso, mas saibam que quem estiver utilizando este mouse, estará usando apenas o próprio braço.

Por outro lado, é estranho ver que seu irmão Elecom M-DUX50BK, que é consideravelmente mais barato, possui um sistema avançado de macros, permitindo até mesmo que o cursor seja controlado através destas. Talvez eu deveria estar analisando este modelo ao invés do “topo de linha” da marca.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Desempenho

Preço

Conclusão

O Elecom M-DUX70BK é um mouse com recursos interessantes, um excelente sensor e componentes de alta qualidade, mas que acaba falhando em uma questão básica e extremamente importante: ter uma boa resposta em seus botões principais.

E isso sinceramente é uma pena, o Elecom M-DUX70BK não é um mouse ruim e acredito que a empresa seja capaz de resolver este problema no futuro (se é que já não resolveu no recém lançado Elecom M-DUX71BK).

Com o preço de 5.800 Ienes (52 dólares), o Elecom M-DUX70BK é não é nem caro, nem barato para suas especificações, sendo um pouco mais barato que concorrentes como o Corsair Scimitar e Razer Naga 2014, os quais considero superiores a ele.

No eBay, um mouse destes custa na faixa dos 70 dólares e sinceramente não vale o esforço a menos que você esteja muito interessado no recurso de multiboxing que este mouse possui, pois há mouses melhores por este preço até mesmo aqui no Brasil.

E se estiver interessado em um mouse para multiboxing, o Elecom M-DUX50BK está mais barato (55 dólares no eBay), não possui alguns dos botões inúteis de seu irmão, possui macros e parece ser uma melhor opção ergonomicamente. Ele pode ter um sensor um pouco inferior, o Pixart PMW 3320, mas é mais do que suficiente para um mouse destes.



Créditos da imagem para @tsukumo_gamers

Agradeço agora o meu amigo Vinicius Miotti, que trouxe este curioso mouse para nós analisarmos e espero conseguir realizar análises de outros periféricos “estranhos” no futuro. Um controle com macros e 24 botões talvez?

PRÓS

  • Excelente precisão graças ao sensor Pixart PMW 3310

  • Extremamente interessante para quem realiza multiboxing

  • Ótima construção interna

  • Software simples e prático de usar

CONTRAS

  • Ergonomia projetada para jogadores asiáticos, que possuem mãos menores.

  • Não permite macros, apenas binds.

  • Resposta dos botões esquerdo e direito varia demais de acordo com onde está sendo pressionado.




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