Análise Games Injustice 2 – Adrenaline

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Injustice 2 é a aguardada continuação do aclamado primeiro título da NetherRealm que finalmente conseguiu fazer um jogo de luta de heróis com ênfase numa sólida campanha e numa excelente história. Em seu retorno, além de novos personagens, o game traz um inédito sistema de equipamentos e customização que promete aumentar muito a longevidade dele. Mas e aí, vale a pena retornar ao universo do Superman maligno para trocar uns socos em Injustice 2? Confira nossa análise pra saber!

História e Ambientação
Uma ótima campanha pros fãs não botarem defeito

A NetherRealm mostrou logo em Mortal Kombat 9 que sabe contar histórias, mesmo num jogo de luta e a desenvolvedora brilhou com um universo rico e consagrado como o da DC em Injustice: Gods Among Us. Com Injustice 2 não poderia ser diferente. A campanha do jogo por si só já vai justificar a compra para os fãs da Liga da Justiça, mesmo com suas pequenas falhas.

A campanha do jogo por si só já vai justificar a compra para os fãs da Liga da Justiça

Injustice 2 mantém o princípio da luta entre as “facções” do Batman e do Superman que já vimos no primeiro game, mas enriquece a história trazendo elementos mais variados. No título anterior, sempre sabíamos logo de cara qual seria o alinhamento de cada personagem, sendo que no game de agora alguns heróis não têm seu lado imediatamente definido. Apesar de ser um pouco previsível de que lado esses personagens vão acabar ficando, é bem interessante ver os acontecimentos que levam até essas escolhas. 

Falando em escolhas, temos algumas para fazer ao longo da história, mas elas só impactam em qual personagem você vai usar nas lutas. A única escolha que muda o final é a última, seria interessante se houvesse pelo menos mais um ou dois finais e as opções ao longo do game definissem qual você vai obter, mas o que temos aqui já é muito bem-vindo.

Um outro pequeno ponto negativo para a história acaba sendo a presença de personagens que não afetam em nada o enredo. Há pelo menos três personagens que o jogador enfrenta durante a história que, se eles não tivesses aparecido, não mudaria literalmente em nada o desenrolar dos acontecimentos. É interessante que a NetherRealm queira que todos os lutadores do game apareçam de alguma maneira na campanha, mas teria sido melhor se eles tivessem uma participação mais importante ou se ficassem de fora de uma vez para dar mais espaço para preencher algumas das lacunas do enredo.

Jogabilidade e Multiplayer
Sistema de equipamentos é uma perfeita adição ao estilo do jogo

Por melhor que seja a campanha, é a jogabilidade que mais importa num jogo se luta, e Injustice 2 traz refinamentos que tornam o jogo melhor do que o primeiro. É aquele limiar perfeito entre ser familiar o suficiente para não ter que aprender a jogar de novo, mas com inovações para sentirmos que estamos jogando um novo game. E muito disso se deve ao novo sistema de equipamentos.

Os equipamentos foram uma excelente adição ao game que, além de tornar o jogo muito mais atrativo, acabam casando perfeitamente com o “multiverso” da DC, já muito conhecido para os fãs das HQs. Os equipamentos permitem customizar amplamente o visual de cada personagem e alterar alguns de seus atributos. É possível ainda criar composições diferentes, para enfatizar mais o ataque ou a defesa, por exemplo, deixando seu lutador principal preparado para enfrentar diferentes tipos de adversários. Como um extra muitíssimo interessante e muitíssimo bem-vindo, alguns personagens contam com uma skin alternativa em suas opções de cores que transformam eles em outro lutador, inclusive com outras falas. São aproveitados os movimentos e o gameplay do lutador, mas aumenta ainda mais a variedade. É o caso, por exemplo, do Capitão Frio. É possível comprar a skin do Sr. Frio para ele. Quando equipada, ela muda não só a aparência, mas também as falas do personagem.

Os equipamentos foram uma excelente adição ao game

Para obter equipamentos o jogador cumpre desafios, joga no multiplayer, etc. Equipamentos específicos podem ser liberados, dependendo do momento, mas a maior parte do tempo você junta moedas do jogo para comprar caixas no cofre do “Irmão Olho”. Essas caixas liberam equipamentos aleatórios para todos os personagens. Elas podem ser compradas com dinheiro real também.

E é esse sistema de equipamentos que aumenta muito o valor da adição de outro recurso: o “Multiverso“. Este modo de jogo é muito semelhante às torres do Mortal Kombat X. Aqui são planetas que o jogador escolhe. Na prática, são conjuntos de batalhas específicas que podem ter diferentes condições, como armadilhas, ou boosts, por exemplo. Cumprir essas batalhas libera prêmios específicos. Os planetas estão sempre se alterando, com sua duração variando entre semanas a até apenas algumas horas, fazendo do Multiverso um excelente atrativo para quem gostou do game querer jogar todo dia e liberar novos equipamentos. Como ponto extra, no Multiverso os adversários sempre aparecem com equipamentos e visuais variados, ajudando ainda mais a manter um ar de novidade no gameplay.

E tudo isso falando apenas dos recursos offline do jogo, que claro, conta ainda com um robusto multiplayer online. Você pode enfrentar os adversários online usando ou não seus equipamentos. É possível criar ou participar de salas de multiplayer com interesses comuns e é possível fazer clãs também, chamados aqui de “Guildas“. Há desafios diários específicos de Guildas para liberar moedas e equipamento. É aqui que a possibilidade de comprar equipamento fica mais polêmica por causa do famoso “pay to win“. Realmente quem investir dinheiro real pode sair na vantagem, mas a aleatoriedade das compras e a possibilidade de jogar sem o equipamento de uma vez é um bom equilíbrio para evitar a desvantagem, pelo menos agora que o jogo acabou de ser lançado.

O que conta como desvantagem no multilpayer mesmo, pelo menos no PS4, é a já conhecida instabilidade da PSN. Lag numa partida de jogo de luta é simplesmente inadmissível, não tem como jogar. Usando a excelente conexão do Adrenaline consegui lutar algumas partidas com fluidez e tranquilidade, mas houve casos em que ficou tudo em “câmera lenta”. Muitas vezes é demorado encontrar algum adversário também, o que acaba com o ritmo do jogo e mata um pouco a vontade de jogar.

Ainda sobre o ritmo do jogo, precisamos falar dos especiais. As animações, por mais legais que sejam, cansam e quebram muito o ritmo da partida quando você já as viu diversas vezes. No entanto, não é possível cortá-las porque a NetherRealm escondeu um “segredo” aqui. É uma espécie de QTE. Acertar o botão de golpe forte no momento dos golpes do personagem durante o especial faz ampliar o dano de quem está atacando, ou reduzir o dano de quem está se defendendo. Neste caso, teria sido interessante não “esconder” essa informação, tornando a animação do especial mais participativa para os jogadores.

Gráficos

Os gráficos e especialmente o design do game estão excelentes. O grande destaque nessa parte vai para as animações, seja nas cutscenes ou durante a luta mesmo. A expressividade dos personagens é muito bem capturada, algo que não se espera que seja tão bom num game de porrada. O nível de qualidade das expressões faciais que temos aqui é algo que se esperaria mais num jogo mais dependente da sua história, como num RPG espacial baseado em escolhas e relacionamentos, por exemplo. 

Mas não é só a expressão dos personagens. Suas animações durante a luta, dos golpes, torna tudo muito imersivo e dá gosto de jogar. Isso tudo somado ao design das armaduras e equipamentos que, além dos padrões, há uma infinidade para liberar, algo que certamente exigiu uma quantidade imensa de esforço, capricho e criatividade por parte da NetherRealm, e que certamente é muito apreciado.

A variedade de armaduras e equipamentos certamente exigiu um trabalho imenso, que é muitíssimo apreciado

Isso sem contar o design dos cenários, que não só são muito bem elaborados, mas também “participam” da luta. A interação com objetos do cenário foi consagrada no primeiro Injustice e retorna aqui, então o capricho do desenvolvimento do campo de batalha conta não só nos gráficos mas também no gameplay, resultando num combate que parece natural e integrado ao ambiente onde estão os lutadores.

Som

Claro que o maior destaque aqui é a dublagem. A trilha sonora de Injustice 2 fica apenas no satisfatório, cumprindo o que se espera, mas não chegando a se destacar em nenhum momento. É a dublagem dos personagens que realmente brilha, especialmente no português brasileiro, por usar muitas vozes já consagradas no desenho da Liga da Justiça.

Márcio Seixas como Batman e Guilherme Briggs como Superman. Precisa dizer mais?

O Márcio Seixas como Batman e o Guilherme Briggs como Superman são vozes que nós, fãs de super-heróis, escutamos desde suas séries animadas solo, lá pelos anos 90. Mais tarde nos desenhos da Liga da Justiça, essas vozes foram mantidas e acompanhadas por muitas outras que ficaram eternizadas em nossa memória e que retornam para dublar Injustice 2. O resultado é incrível.

Só não é perfeito por causa da direção da dublagem. Em Injustice 2, como explicado por Wendel Bezerra (que faz a voz do Irmão Olho), os dubladores não tiveram a chance de ver as cenas que eles estavam fazendo durante a gravação, algo que é comum e muito criticado no desenvolvimento de jogos. Isso resulta em algumas cenas fora do tom e alguns diálogos que não fazem muito sentido com o que estamos vendo. Isso é um ponto negativo, mas acontece bem pouco. Injustice 2 mostra a diferença que dubladores experientes e profissionais conseguem fazer.

AVALIAÇÃO:

História

Jogabilidade

Gráficos

Som

Conclusão

Injustice 2 é indispensável para fãs da DC e de jogos de luta. O jogo mostra como se faz uma sequência, se baseando fortemente no que é familiar e expandindo com inovações muito bem-vindas. O excelente sistema de equipamentos é uma garantia para fazer o jogador voltar diariamente ao game, seja para jogar offline ou online.

Injustice 2 é indispensável para fãs da DC e de jogos de luta

A polêmica das microtransações, infelizmente, parece que chegou aos jogos para ficar. Injustice 2 ainda contorna isso da melhor maneira possível com prêmios aleatórios e, claro, a possibilidade de desligar os equipamentos de uma vez na partida. 

O Multiverso é uma excelente adição que garante mais jogatina para quem gosta de jogar offline e uma boa desculpa para treinar para quem gosta de jogar online. Fica agora a torcida de um bom port para o PC.

PRÓS

  • Lutadores variados

  • Excelente sistema de equipamentos

  • Multiverso dá vontade de jogar todo dia

  • Ótima história

  • Animações dos personagens de primeira qualidade

  • Dublagem com várias vozes originais do desenho da Liga da Justiça

CONTRAS

  • Pagar por equipamentos pode dar uma vantagem polêmica

  • Escolhas da história não afetam o enredo

  • Alguns diálogos fora do tom com a cena




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