Análise Mouse Logitech G203 – Adrenaline

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Uma prática que está se tornando comum são marcas lançando múltiplas versões do que parece ser o “mesmo mouse”.

Uma versão com sensor topo de linha para jogadores exigentes de FPS, outra versão mais barata para quem usa o PC para MOBAS e só quer um mouse confortável e resistente, sem a necessidade da melhor precisão possível.

Exemplos são:

  • CM MasterMouse S (R$ 150) e CM MasterMouse Lite S (R$ 80)
  • Cougar Minos X3 (R$ 160) e Cougar Minos X1 (R$ 80)
  • Logitech G Pro (R$ 280) e Logitech G203 (R$ 140)



Em ordem: CM MasterMouse Lite S, CM MasterMouse S, Cougar Minos X1, Logitech G203 e Logitech G Pro

Embora pareça estranho e cause confusão, existem razões para estas empresas lançarem mouses diferentes com a mesma carcaça, e em alguns casos até a mesma PCB: redução de custos. A economia com tooling (todo o maquinário necessário para produção) permite que estes mouses “duplicados” tenham preços mais competitivos que concorrentes.

O problema é esta questão para o público:

Por que pagar o dobro por algo que parece ser o mesmo mouse?

No caso do CM MasterMouse Lite S e Cougar Minos X1 a resposta é simples: o sensor de ambos é uma vergonha comparado aos sensores Pixart PMW 3310 (Cougar Minos X3) e Pixart PMW 3330 (CM MasterMouse S).

Em termos de precisão, a diferença é da água para o vinho.

E sim, isso justifica o dobro do preço, pois o sensor é de longe a peça mais cara de um mouse, e o uso de um sensor topo de linha ao invés de um sensor de mouse de R$ 20 realmente dobra o custo de produção.

Mas e quanto ao caso da Logitech? Aqui complica. Tecnicamente, o Logitech G203 (conhecido na Ásia como G102) é inferior ao Logitech G Pro, mas não muito, e é possível ver que a própria Logitech trabalhou mais em cima do G203 do que de seu irmão Pro, pois ele traz uma novidade chamada “Logitech Mercury“:

Este novo sensor, feito pela própria Logitech do zero, supostamente apresenta um nível de precisão semelhante a sensores topo de linha, mas a um baixo preço. Será mesmo? Veremos.

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, estas que chamamos de pegadas. As três principais são:

O Logitech G203 é o sucessor do antigo Logitech G100S e é adequado apenas para as pegadas Fingertip e Claw, especialmente por ser pequeno e leve. Usuários da pegada Palm devem manter distância, a menos que tenham mãos pequenas (mulheres e crianças).


Em ordem: Microsoft Optical 200, Logitech M90, Logitech G203, Logitech G403 e Steelseries Rival

Pesando 85 gramas (sem o cabo), o Logitech G203 é um mouse leve, remete bastante a mouses genéricos de escritório, tal como o Logitech M90, mas sem passar nenhuma impressão de fragilidade.

Embora seu design seja “ambidestro”, o Logitech G203 é um mouse que claramente favorece destros ao colocar botões apenas em sua lateral esquerda:

Em seu acabamento, o Logitech G203 utiliza apenas um material: plástico. Mas é um plástico fosco de alta qualidade e que não apresentará nenhum desgaste com o uso, diferente do acabamento emborrachado de alguns concorrentes.

Me lembra bastante o acabamento do Ducky Secret M, outro mouse com um acabamento aparentemente “simples” mas muito bem feito, bem diferente do acabamento de segunda que a Motospeed usa:


Em ordem: Logitech G203, Ducky Secret M e Motospeed V30

O Logitech G203 possui um sistema de cliques “especial”, utilizando molas para aplicar pressão sob os botões, da mesma forma que seus irmãos Logitech G302/G303/G403/Pro fazem, dando a ele excelentes cliques. Mas também não é nada “excepcional”, como visto no seu irmão G900.

Embaixo do mouse encontramos quatro pequenos pés de teflon, assim como outro anel de teflon instalado ao redor do sensor. Isto garantiu ao Logitech G203 (direita) um excelente deslize independente a superfície onde colocamos ele.

Mas antes de continuarmos, vamos esclarecer algo ao público: as unidade que recebemos do Logitech G203 e Logitech G Pro são mouses refurbished, ou seja, unidades que apresentaram algum problema no processo de produção, foram consertadas e são destinadas apenas para fins de mostruário, não para venda, por isto a presença destes adesivos:

Se pudéssemos, analisaríamos unidades retail (destinadas à venda), mas não é o que conseguimos. Felizmente, mesmo estes dois sendo “mouses que possuíam defeitos”, não encontramos nenhum problema em nossos testes.

Continuando, o Logitech G203, diferente de seu irmão Logitech G Pro, utiliza um cabo de borracha, tendo alta flexibilidade e sem nenhum revestimento de nylon. Embora para alguns isso pareça ser um ponto negativo, não é.

Para exemplo, o cabo de nylon do seu irmão Logitech G Pro é bastante inflexível, chegando ao ponto de prejudicar muito a movimentação do mouse.

A coisa é tão feia, que há pessoas que removem manualmente o nylon do cabo do Logitech G Pro ou até compram o G203 e abrem ele apenas para tirar o cabo do G203 e colocar no Logitech G Pro. Eu, sinceramente, faria o mesmo, pois o cabo do Logitech G Pro é horrível.

Uma dica que dou para donos do Logitech G Pro é procurar em sites como Aliexpress/eBay pelo cabo do Logitech G102 (que é o mesmo mouse que o G203), a diferença é simplesmente brutal.

Enfim, o Logitech G203 é um mouse simples, que remete muito a mouses básicos de escritório, usa apenas um tipo de acabamento e tem apenas seis botões, mas é justamente por isso que não há falhas em seu acabamento. O plástico de alta qualidade, os teflons bem planejados, o excelente sistema de cliques que a Logitech utiliza e um cabo muito melhor do que seu irmão Logitech G Pro garantem a nota máxima neste segmento da análise.

Construção Interna

Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, as chances de ocorrerem problemas com o tempo serão baixas. Se o mouse utilizar componentes de baixa qualidade, conectores internos e/ou soldas mal feitas, ele pode acabar sendo uma bomba relógio.

O Logitech G203 é similar internamente ao Logitech G Pro, mas não é idêntico. A fabricante da sua placa lógica é outra e o botão do meio possui uma melhor resposta do que o do Logitech G Pro:


Logitech G203 na esquerda, Logitech G Pro na direita.

O Logitech G203 utiliza componentes de alta qualidade onde são necessários e componentes um pouco inferiores em botões que não são tão usados, uma economia de gastos que realmente parece ser repassada ao consumidor em seu custo final, diferente de seu irmão Logitech G Pro, que possui os mesmos componentes custando o dobro.

Desempenho

E é aqui, caros amigos, que o Logitech G203 é polêmico. Mas polêmico de uma boa forma, pois diferente da maioria dos mouses que usam sensores da AVAGO/Pixart, este mouse usa um sensor feito pela própria Logitech.

A polêmica do G203, é que seu sensor foi feito pela própria Logitech

Antes de entrarmos mais a fundo, algo interessante para o público saber é que o mercado de sensores para mouses é basicamente um monopólio. Desde que a Pixart comprou a AVAGO em 2013, maior parte do mercado de sensores de baixo custo, assim como todo o mercado de sensores para mouses gamer, pertencem a uma única empresa.


PS: Estes gráficos não apresentam dados reais, apenas a minha visão nestes últimos 6 anos que acompanho o ramo de mouses.

Por um lado isto foi bom. A Pixart, que antes não lançava bons sensores para mouses gamer, a partir de 2013 tinha toda a tecnologia necessária para lançar sensores excelentes. Por outro lado, monopólio gera controle de preços.

A Logitech já fazia sensores há décadas, mas apenas para mouses sem fio, que precisavam de sensores especiais, com baixo consumo e compatibilidade com qualquer superfície. Em mouses para jogos, desde que entrou para este mercado, ela dependeu da AVAGO e da Pixart. Não mais.

O sensor Logitech Mercury é interessante por ser um sensor feito pela própria marca e que supostamente possui um nível de precisão e tecnologias que o fazem ser tão bom quanto sensores topo de linha da Pixart, mas com uma diferença: baixo custo. Veremos.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad RISE M4A1, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados no mousepad RISE M4A1 em 1000 Hz:

Para quem não conhece muito sobre o MouseTester e o comportamento de alguns sensores atuais nele, tal como o Pixart PMW 3360, parece que há algo “errado” neste gráfico, mas não é o caso. O que acontece, é que o Logitech Mercury envia seus dados de rastreio de forma bruta para o computador, sem realizar nenhum “filtro” nos mesmos para deixar estes “bonitos” como alguns sensores fazem.

Se diminuirmos a taxa de atualização para 500 Hz e assim dermos tempo para o sensor “filtrar” estes dados, teremos um gráfico diferente:

Então isso quer dizer que o Logitech G203 é ruim em 1000 Hz e bom em 500 Hz?

NÃO! De forma alguma! Isto quer dizer que o Logitech G203 em 1000 Hz entrega dados brutos e precisos, sem tentar “maquiar” estes dados, tal como fazem, por exemplo, o Philips Twin Eye PLN 2034 no Razer Naga 2014. O Logitech G203 apresenta bons resultados em ambas as taxas de atualização.

Já o próximo teste é o teste de aceleração. O ideal é que se o mouse for movido rapidamente 10 cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do Logitech G203 usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

E o resultado é simplesmente perfeito, não há aceleração alguma.

Além destes dados, se compararmos a ficha técnica do Logitech Mercury e outros sensores topo de linha da Pixart, é possível ver que o mesmo supostamente se assemelha em desempenho ao AVAGO S3988 utilizado pelo Razer Deathadder 2013 e supera sensores como o Pixart PMW 3310 na velocidade máxima de rastreio, o que também lhe permite operar melhor em DPIs altas.

No final, a verdadeira questão acaba sendo: será que este sensor continuará sendo exclusivo da Logitech quando poderia fazer um belo estrago no mercado e competir nesse monopólio?

Agora vamos falar sobre o software. Embora na maioria das análises nós demonstremos cada parte do software, não há como fazer isto no Logitech Gaming Software pois ele é complexo demais e se analisarmos cada ponto, isto vai ocupar metade da análise. Por isto, vamos apenas expor seus prós e contras:

Prós:

  • Leve e prático de usar.
  • Não requer registro e login.
  • Perfis pré-programados para mais de 600 jogos e aplicativos, com atualizações constantes.
  • Permite escolher entre utilizar a memória interna do mouse ou a memória do software.
  • Sincronização entre periféricos da mesma marca.
  • Sistema extremamente completo para criação de macros
  • Uma quantia absurda de funções pré-definidas para controle multimídia, atalhos do Windows, controle de sistemas de chat por voz, etc…

Contras::

  • A interface em Português de Portugal causa confusão em algumas funções.

No fim, o software da Logitech é um dos melhores softwares no mercado, mas a marca poderia, além de traduzir a interface para PT-BR, deixar ela um pouco mais intuitiva e incluir explicações de certas funções, assim como a Steelseries faz na Engine 3.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Desempenho

Preço

Conclusão

O Logitech G203 é um mouse que parecia ser apenas uma versão mais barata do Logitech G Pro, mas na verdade acabou sendo um forte competidor pela metade do preço, tornando difícil a recomendação de seu irmão até que uma queda de preço aconteça.

O Logitech G203 é um mouse com uma ergonomia muito similar à de mouses populares, um peso agradável, um acabamento simples mas muito caprichado, componentes internos de alta qualidade, um excelente software e um sensor impressionante. Mas, acima disso, ele é um mouse topo de linha com um ótimo preço, girando na faixa dos R$ 130~170.

E isso é até estranho, a própria Logitech parece que quer induzir o consumidor a comprar o G203 ao invés do Pro, pois o preço de venda do Logitech G Pro (R$ 270) não condiz com o fato de seu custo de produção ser menor que o G403, que atualmente está mais barato (R$ 230). Me parece que a Logitech realmente quer que o público compre o modelo com o sensor Mercury.

Enfim, graças à qualidade apresentada em todos os aspectos deste mouse e pelo seu preço competitivo, dou ao Logitech G203 o selo diamante e espero que seja possível ver mais deste sensor no futuro, especialmente se isto significar mouses melhores e mais baratos.

Agradeço agora o pessoal da Rocketz que cederam o Logitech G203 e Logitech G Pro para análise, mas lembramos ao público que as relações do Adrenaline e do autor desta análise (wetto) não afetam as notas das análises.

PRÓS

  • Acabamento externo de excelente qualidade

  • Excelente Custo x Benefício

  • Excelente precisão graças ao sensor Logitech Mercury

  • Excelente software

  • Ótima construção interna

CONTRAS

  • Não é adequado para quem possui a pegada Palm por ser um mouse pequeno


 

 



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