Análise Games Tekken 7 – Adrenaline

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Tekken 7 é o mais novo título de uma franquia que começou em 1994 nos arcades e que só agora, depois de mais de 20 anos, faz a sua estreia no PC. O jogo foi lançado nessa semana na Steam e para o PS4 e Xbox One com um inédito modo de história, novos personagens e poderosas Rage Arts. E o que mais o jogo tem a oferecer? Confira os detalhes em nossa review de Tekken 7!

História | Ambientação
A retribuição pré-destinada aguardada pelos fãs, contada de maneira muito confusa

A Bandai Namco subiu no bonde de desenvolvedora criando modos especiais diferenciados focados na história em seus jogos de luta, e a chegada é muito bem-vinda. O pessoal que joga há um bom tempo deve se lembrar de como era zerar seu game de porrada preferido e ter que usar a imaginação para preencher 90% da história, que era mais ou menos contada na abertura e no final de cada personagem. Tekken 7 enfim tem um modo campanha totalmente focado no enredo e merece muitos pontos por isso.

Mas, enquanto o jogo merece elogios por inaugurar seu modo de história, a qualidade do enredo em si não pode fugir de críticas. Há uma quantidade desproporcional de cutscenes entre cada luta e passamos mais tempo assistindo o desenrolar dos acontecimentos do que jogando. Isso é um problema em jogos de luta porque os combates não são muito longos. Quando Metal Gear passa uma cutscene de uma hora depois de você ter três horas de gameplay é uma coisa. Mas uma cutscene de 10 minutos depois de 1 minuto de luta é completamente outra coisa. Falta ritmo para a campanha.

O modo de campanha em Tekken 7 se chama “A Saga Mishima“, então, como é de se esperar, ele se foca inteiramente na rivalidade da família Mishima, mais notadamente entre os personagens Heihachi e Kazuya, pai e filho. Toda a campanha gira especialmente em torno de Heihachi e não são muitos outros personagens que aparecem além dele e do filho. Os poucos que participam têm pouco ou nenhum impacto na história. Isso, por si só, não é um problema, mas seria interessante que a maior parte dos trailers do jogo não dessem tanto a entender que outros lutadores consagrados da franquia teriam participação na história. A maioria não tem.

A história se foca inteiramente na rivalidade da família Mishima

O problema real desse foco tão forte na rixa dos Mishima é que, com um recorte tão pequeno do vasto universo de Tekken, mesmo que seja o mais importante, seria de se esperar que a história fosse melhor contada, já que ela poderia ser muito objetiva. A maioria dos acontecimentos são basicamente inúteis e a maior parte do tempo parece que o jogo só está adiando a luta final entre Heihachi e Kazuya, que poderia ter acontecido em literalmente qualquer momento do modo campanha. A gente não sente uma sucessão de eventos que leva ao embate final, eles só decidem resolver o negócio de uma vez.

Isso tudo não significa, no entanto, que a história não tenha suas qualidades, especialmente para quem já é fã da franquia. Uma coisa que a Bandai Namco soube fazer muito bem em Tekken 7 foi as transições das cutscenes para o gameplay, que acontece de maneira natural e imersiva. Na maioria das vezes os personagens começam a se bater durante a cutscene a luta começa no meio da troca de socos, isso ficou muito bom. É uma transição melhor até que a dos jogos da NetherRealm.

O combate final compensa os problemas da história para os fãs da franquia

Além das ótimas transições, o gameplay das lutas da campanha incorpora recursos narrativos muito legais. Flashbacks de imagens com falas muito bem colocados no meio de golpes pesados ajudam a manter o jogador pensando sobre o impacto emocional dos combates sem chegar a atrapalhar a luta, enquanto em outros momentos a vida do personagem se altera pra refletir o que vimos na história. É bastante imersivo.

E o combate final, para os fãs, compensa todos os defeitos do modo campanha. Não posso melhorar muito a nota de Tekken 7 em sua história pelos vários problemas que ela tem, mas sou obrigado a dizer que ver o combate final entre Heihachi e Kazuya (mágoa vs. ódio) que levou mais de 20 anos acompanhando a saga para acontecer e a maneira como tudo termina… É de arrepiar.

Para os outros personagens, na parte de campanha, restam pequenas lutas pré-definidas que funcionam como se fossem “anedotas”. Dá pra ver a interação entre diferentes lutadores e dar algumas risadinhas, mas não vai além disso.

Jogabilidade | Multiplayer
A mesma de sempre, com suas vantagens e desvantagens

Como em qualquer jogo de luta, é a jogabilidade que importa. Tekken 7 é excelente em seu gameplay, mas isso não é dizer muita coisa porque trata-se de um refinamento de uma fórmula desenvolvida há mais de 20 anos. É incrível como o jogo se mantém semelhante ao longo de tanto tempo e como as poucas novidades introduzidas são novas apenas em Tekken, não no universo de games de luta como um todo.

É o caso das Rage Arts, por exemplo. São basicamente os especiais que já vimos em tantos outros jogos, uma introdução bem-vinda ao universo de Tekken, mas que não dá pra chamar exatamente de inovação. No Brasil dizemos que “não se mexe em time que está ganhando”, mas a Bandai Namco leva isso ao absurdo e a franquia Tekken não está exatamente “ganhando” de seus concorrentes.

Os jogadores exclusivos de PC que nunca experimentaram, no entanto, vão ter aqui um prato cheio para aprenderem e se divertirem. É difícil um game de luta em 3D com a qualidade de Tekken 7 e, para quem é fã do gênero, vai ser muito interessante aprender as mecânicas e jogabilidade diferenciada em relação aos jogos de luta em 2D.

O multiplayer do jogo conta com os modos clássicos de partidas casuais, ranqueadas e torneio. De novo, nada de inédito ou inovador. A versão que jogamos foi a do PC e não tivemos problemas durante as partidas, quando elas aconteciam. O problema é encontrar as partidas. Talvez pelo jogo ser muito novo ou pelo horário, não é muito fácil achar gente online pra jogar.

Tekken 7 conta ainda com um sistema de customização de personagens que já está há algum tempo na franquia. Diferente de Injustice 2, as mudanças são apenas estéticas, o que diminui um pouco a vontade de correr atrás delas, mas ajuda a não dar vantagens no multiplayer. Há uma diversidade bem grande de itens e muitos deles são piadas, para deixar o personagem com uma aparência engraçada. Acho isso muito bem-vindo, o jogo não precisa ser isento de senso de humor. Mas há uma quantidade exagerada desses itens, tirando espaço do que poderiam ser as opções de customização “normais” para quem não gosta de ficar “zoando” os personagens.

Contando com um modo de personalização, Tekken 7 acompanha também um modo para conseguir esses itens, a “Batalha por Tesouro”. Trata-se apenas de uma sucessão de lutas que vão liberando itens aleatórios. Você escolhe o seu personagem preferido e luta por quanto tempo quiser.

Gráficos e Som
Gráficos mais ou menos e dublagens internacionais

Os gráficos do jogo não são ruins, mas não arrancam muitos elogios. Os cenários são bonitos e bem trabalhados, ricos em detalhes. Isso é bastante importante num jogo de luta tridimensional em que temos a chance de ver todos os ângulos do ambiente. Os personagens também contam com um design bastante caprichado e bem trabalhado, algo potencializado pelos itens extras de customização.

Todo esse trabalho de design não impressiona, no entanto, porque os gráficos não mostram uma evolução muito impressionante. As animações faciais não são das melhores e os personagens continuam se movendo quase do mesmo jeito que começaram há 20 anos. 

os gráficos não mostram uma evolução muito impressionante

Uma coisa que pessoalmente me incomoda em Tekken, desde antes, é os pedaços de chão que levantam sempre que um personagem é derrubado num cenário urbano. Parece que cada lutador pesa 2 toneladas e qualquer tombo, até os menores, arrebenta o concreto como se fosse nada.

A parte de áudio de Tekken 7 está muito bem trabalhada, especialmente na trilha sonora. A música do menu é uma das melhores que o jogo já teve e algumas das trilhas durante a campanha aumentam muito a empolgação de jogar. Elas combinam com o ritmo das lutas e tornam tudo mais imersivo, inclusive nas partidas normais, no arcade ou no multiplayer.

Já a dublagem é um tanto inconsistente. São diversos personagens e a Bandai Namco teve um cuidado muitíssimo bem-vindo de fazer cada lutador falar o idioma da sua terra natal. É esquisito que cada um converse numa língua e todos se entendam, mas o efeito final adiciona para a personalidade de cada lutador e complementa a experiência. O jogo faz a gente sentir mais que são pessoas de todos os lugares do mundo testando suas habilidades, isso é ótimo. Mas, com tantos dubladores diferentes, os resultados variam. Algumas vozes ficam ótimas, outras nem tanto. Enquanto Kazuya e Heihachi dão show, a Nina dá um pouco de vergonha alheia, por exemplo.

AVALIAÇÃO:

História

Jogabilidade

Gráficos

Som

Conclusão

Tekken 7 é uma ótima continuação para a franquia e fez uma bonita estreia no PC, com um port bem otimizado e jogabilidade fluida. O game é recomendadíssimo pra quem curte luta, mas nunca teve a oportunidade de experimentar Tekken por jogar apenas no PC. Mas, para quem já acompanha a franquia, um pouco mais de inovação faz falta.

Apesar dos seus pequenos problemas, o jogo é recomendação certa para quem é fã da franquia ou do gênero

O modo história é um recurso muito bem-vindo e merece vários pontos pela maneira que a narrativa flui para o combate, mas a qualidade do enredo em si é um problema. Dá pra considerar uma primeira tentativa válida que precisa de polimento.

Apesar dos seus pequenos problemas, o jogo é recomendação certa para quem é fã da franquia ou do gênero. Só vai decepcionar quem estiver esperando muitas novidades.

PRÓS

  • Mesmo com defeitos, modo história é muito bem-vindo

  • Diversas opções de customização para os personagens

  • Dublagem em diferentes idiomas

  • Rage Arts foram uma boa decisão

  • Trilha sonora de qualidade

CONTRAS

  • Falta de inovação desanima

  • História mal trabalhada

  • Gráficos não passam do “satisfatório”

  • Qualidade da dublagem varia




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