Análise Teclado HyperX Alloy FPS

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HyperX. Uma das empresas do ramo de periféricos que mais cresceram nos últimos 5 anos, tendo uma grande participação no segmento de headsets e o respeito tanto do público quanto de críticos pela qualidade destes produtos.

Após o sucesso em headsets, já era esperado que a HyperX iria expandir seus negócios para outras áreas. Teclados foram o próximo passo, sendo que o HyperX Alloy FPS foi o primeiro teclado da marca. Atualmente, ela também possui um teclado RGB que ainda não foi disponibilizado no mercado e o mouse HyperX PulseFire FPS.

A presença da HyperX no ramo de headsets mudou completamente o mercado e as exigências de qualidade impostas pelo público, mas será que o mesmo acontecerá com teclados? Veremos.

Construção Externa

Uma das principais características que a HyperX coloca em seu teclado, é que este seria “compacto” por não ter botões para macros ou diversos recortes como alguns de seus concorrentes:

Ele é um teclado simples em seu design, com bordas finas e por isto é considerado um teclado clean“. Mas a definição de “compacto” para a comunidade de teclados mecânicos são teclados com tamanho realmente reduzido, categoria na qual o Alloy FPS não se encaixa.


Em ordem: HyperX Alloy FPS, CM MasterKeys Pro M, Ducky One TKL RGB e o Matias Secure Pro (que precisa de um banho).

Assim como diversos outros teclados mecânicos, o HyperX Alloy FPS possui a sua backplate (uma placa de aço/alumínio que suporta os switches mecânicos) exposta — enquanto muitos outros teclados mecânicos escondem esta placa de metal embaixo de uma capa de plástico. Ele é um teclado com design do tipo “teclas flutuantes”.


Crédito da imagem para
Lepidus do fórum Adrenaline

Embora a marca faça marketing em cima dessa placa de aço, repito o que sempre postei nas análises de outros teclados: há um “truque” por trás disto e a placa de suporte exposta não faz o HyperX Alloy FPS ou qualquer outro teclado ter uma “durabilidade” superior a teclados mecânicos que não sejam assim.

Um diferencial do HyperX Alloy FPS é o quão fino este teclado é, mas sem passar uma impressão de fragilidade como o Motospeed CK104. Ele é fino, mas há um bom peso e a qualidade do metal e do plástico utilizado é bem notável ao tato:


CM MasterKeys Pro M na esquerda, HyperX Alloy FPS na direita

No verso do teclado, há quatro pequenos pés emborrachados e os dois ajustes de altura também são emborrachados, impedindo que o teclado saia do lugar quando estes forem usados:

Suas keycaps (esse plástico com algo escrito em cima) são produzidas pela iOne e são as mesmas que utilizadas em teclados Razer Blackwidow e em outros teclados da mesma fabricante (OEM).

A princípio, a qualidade do material delas é razoável e a pintura é resistente. Mas um dos pontos negativos destas keycaps é que estas são muito afetadas por umidade e por ácido úrico/suor, então acabam com manchas após pouco tempo de uso, sendo necessário limpá-las. As keycaps de alguns concorrentes são mais resistentes a isto.

Já a fonte utilizada pela HyperX é extremamente limpa e legível. Nada de fontes exageradas como muitos outros teclados e as mesmas são legíveis até mesmo com a iluminação desligada.

Mas estas keycaps são inadequadas à faixa de preço na qual este teclado atualmente está situado. Para o preço de R$ 700, keycaps com impressão double-shot deveriam ser a norma, pois proporcionam maior resistência a desgastes com o tempo e não apresentam estas manchas com o uso. Até o Motospeed CK104, que é muito mais barato, utiliza double-shot.

Esteticamente, o HyperX Alloy FPS é um dos teclados que mais me agradaram nos últimos tempos. Nada das bordas exageradas para cima como o Logitech G610. Ele é extremamente fino, mas sem dar uma impressão de fragilidade como o Motospeed CK104 e com uma excelente fonte em suas teclas, diferente de maioria mercado de teclados chineses.

Ele é um teclado minimalista e elegante.

O HyperX Alloy FPS pode parecer simples, mas é minimalista e elegante

Embora pareça que este seja um teclado “focado em qualidade” — ao invés de focado em ter a maior quantia possível de recursos — a falta de keycaps Double-Shot e/ou keycaps PBT impedem este de realmente ser considerado um teclado “topo de linha” em sua construção externa. A pintura utilizada pela iOne é suscetível a desgastes com o tempo, além de manchar facilmente.

Keycaps podem ser compradas separadamente e o HyperX Alloy FPS é um teclado extremamente compatível com maioria dos conjuntos da internet. Mas, pelos seus R$ 700, seria justo já esperar um material de maior qualidade, assim como concorrentes da Ducky ou até mesmo Motospeed possuem.

Construção Interna

Assim como os novos teclados da Logitech, os mecânicos da Razer e vários outros do mercado, o HyperX Alloy FPS é produzido pela taiwanesa iOne e compartilha algumas características com diversos outros teclados produzidos por esta OEM (fabricante).

Vamos depená-lo então:

O HyperX Alloy FPS tem exatamente o que é visto em outros teclados mecânicos atuais da iOne: soldas bem feitas, o que garante uma boa durabilidade ao teclado, e uma certa quantia de resíduo de limpeza (manchas brancas) na placa. O que pode ficar feio em algumas fotos, mas não é nocivo à durabilidade do teclado.

No coração do teclado, encontramos uma controladora NXP LPC11U14F, o que é normal para teclados mecânicos high-end. O Razer Blackwidow Chroma por exemplo usa uma NXP LCP11U24F e o G.SKILL RIPJAWS KM780 usa uma NXP LPC11U35.

Não há muito o que mostrar no interior do HyperX Alloy FPS, mas o que há dentro dele, junto aos switches de alta qualidade Cherry MX, garantem a durabilidade deste teclado.

Recursos e Extras

O HyperX Alloy FPS é um teclado simples. E não há nada de errado nisso.

O HyperX Alloy FPS possui poucos efeitos de iluminação. Há um modo respiração (a iluminação alterna lentamente entre ligada e desligada), um modo reativo (as teclas ligam ao pressionar e desligam após alguns segundos), um modo “onda” (ao pressionar uma tecla, as teclas ao redor ligam como se você tivesse jogado uma pedra em água), um modo onde a iluminação vai de um lado para o outro e um modo que ilumina apenas as teclas WASD e 1234.

Em seus recursos há o “Modo Gaming“, habilitado ao apertar “FN + F12“, que desabilita a tecla Windows e ativa o NKRO, permitindo assim que todas as teclas do teclado responsam mesmo que sejam pressionadas simultaneamente, ao invés de míseras “6 teclas no máximo” (6KRO) do modo padrão:

Mas o modo 6KRO (padrão) já é o suficiente para tudo e não há nenhuma razão para o teclado não usar o NKRO como padrão. A HyperX está fazendo marketing em cima de algo que não faz diferença na prática e que já é tão comum em teclados mecânicos quanto carros terem direção hidráulica.

Agora na traseira do teclado encontramos uma entrada USB, que é menos útil do que parece ser, e o conector mini-USB onde o cabo removível do teclado é encaixado. Esta entrada USB requer que um conector adicional seja conectado ao computador e não transmite dados, apenas energia. Ou seja, só pode ser usada para recarregar dispositivos, nada de conectar mouses, pendrives…

Pode parecer uma péssima decisão de design da HyperX colocar uma USB com pouca utilidade, mas não seria possível o teclado utilizar um único cabo removível e ter uma USB com dados sem apresentar avisos de “falta de energia” com frequência ao conectar algo nesta USB adicional. A HyperX teve que optar por ter um cabo removível ou então um cabo mais grosso e fixo para que a USB transmitisse dados.

Como o foco deste teclado é portabilidade, a escolha foi a primeira opção. Sei que parece estranho, mas quem teve um CM Storm Trigger, sabe que é impossível usar o HUB USB dele sem ter avisos de falta de energia no computador. A “USB com pouca utilidade” não foi uma má escolha de design da HyperX, foi uma limitação imposta pelo cabo removível.

Agora partindo para os adicionais que o teclado possui:

Há uma pequena pasta onde o teclado pode ser carregado e ao lado dela há também um bolso onde pode ser colocado seus cabos e um mouse (embora vai ficar apertado). Entre as poucas pastas para teclados que já vi, esta é a melhor, embora não há nada excepcional nela também.

Em seguida, as keycaps adicionais para as teclas WASD e os números 1 ao 4, que acrescentam um bom charme ao teclado:

As teclas WASD têm um acabamento texturizado e uma pintura metalizada e por isso “parecem” ser de metal, mas são plástico e também são feitas pela iOne.

Normalmente keycaps adicionais são algo que costumo não gostar, mas estas se tornaram as minhas favoritas, pois não possuem curvaturas como as do G.SKILL RIPJAWS KM780, não atrapalham em nada a digitação e mesmo assim proporcionam um pouco mais de segurança no WASD, além de realmente serem bonitas no teclado.

O HyperX Alloy FPS é um teclado simples em seus recursos e extras. E não há nada de errado nisso, nem todo mundo precisa/quer um teclado com 16.8 milhões de cores e 30 botões de macros. A única coisa errada é cobrar R$ 700 por um teclado que não possui diferenciais para justificar este valor.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Recursos e Extras

Preço

Conclusão

O HyperX Alloy FPS é um teclado mecânico de alta qualidade, produzido com bastante cuidado pela iOne e com o nível de qualidade que se espera da mesma. Ele possui um visual aparentemente “simples”, mas ao analisar o teclado a fundo, é possível ver que houve todo um cuidado para deixar o teclado com uma estética minimalista e elegante.

Mesmo tendo gostado bastante do teclado, tenho que afirmar que ele não é o teclado “topo de linha” que a marca faz parecer que seja.

Pelo valor de R$ 700, seria justo esperar algo como RGB (ex: Logitech G810) ou se houvesse um foco em qualidade, deveria ter keycaps Double-Shot (ex: Ducky One 1508S), mas o HyperX Alloy FPS não possui nenhum dos dois.

A faixa de preço de R$ 700 é inadequada para ele

Aliás, ele é basicamente idêntico em qualidade ao Logitech G610 de R$ 512, que também é feito pela iOne, têm menos recursos do que o G610 e é mais caro. Não preciso dizer qual dos dois é mais vantagem.

E quando colocado contra teclados da mesma faixa de preço, ele acaba sendo uma escolha inferior a teclados como, por exemplo, o CM MasterKeys Pro L, Corsair Strafe RGB, Ducky One DK1508S, Logitech G810 e Tt eSports Poseidon Z RGB, que possuem uma quantia maior de recursos ou maior qualidade em seus componentes.

Em um mercado onde o público venera teclados Custo x Benefício como o Motospeed CK104, o HyperX Alloy FPS fica em uma posição muito desvantajosa. A faixa de preço de R$ 700 é inadequada para ele. Aliás, este é um teclado que custa 100 dólares no exterior, não há justificativas para os R$ 700.

Por outro lado, já foi possível ver promoções para este teclado, chegando ao ponto de custar R$ 480 e tendo um mousepad de brinde. Este sim, é um valor extremamente competitivo e recomendei o teclado para amigos quando houve esta promoção. Até achei que o preço do teclado estava finalmente caindo, para depois me decepcionar vendo este voltar a ser vendido pelos absurdos R$ 700~750 quase meio ano após seu lançamento.

Enfim, o HyperX Alloy FPS é sim um ótimo teclado, mas lhe falta um bom preço, há concorrentes melhores pelo seu valor e o único diferencial deste teclado está sendo o marketing de jogadores e da mídia em cima dele.

PRÓS

  • Boa Construção Externa.

  • Design clean e com portabilidade em mente.

  • Ótima Construção Interna.

  • Switches de alta qualidade Cherry MX.

CONTRAS

  • Preço inadequado.

  • Qualidade das keycaps deveria ser superior pelo seu preço.




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