Análise Games Prey – Adrenaline

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Prey é um jogo de tiro em primeira pessoa publicada pela Bethesda e desenvolvido pela Arkane, disponível para Xbox One, Playstation 4 e PC. O game é ambientado em uma temática de ficção científica e assim como o game de 2006, ele tem como palco uma estrutura no espaço, porém os dois games são bem diferentes no enredo: em Prey (de 2006) você é abduzido por uma espaçonave alienígena e luta contra os tripulantes “etezinhos”. Já em Prey (de 2017) você está a bordo de uma estação de pesquisa humana orbitando a Terra, que é então tomada por etezinhos que estavam confinados e sendo estudados. Não há relação do enredo com o game homônimo anterior, então pode ir direto para Prey (de 2017) sem precisar saber nada de Prey (de 2006), apesar de referências sutis como a chave inglesa como um equipamento inicial.

Enredo
O ponto alto do jogo

Um dos pontos altos de Prey é sua história. Nesse jogo você cai em uma narrativa bastante ambígua e confusa, pois seu protagonista está sem a memória. Ao longo do jogo, é preciso ir juntando os pedaços de evidências para ir entendendo o que aconteceu e seu papel na tragédia, algo importante para tomar novas decisões, lidando com diferentes interesses e opiniões dos outros personagens. O jogo não entrega nada de “mão beijada”, e vai ser preciso juntar gravações, e-mails e bilhetes trocados entre os tripulantes da estação para entender o que acontece na Talos I.

A história em Prey é ambígua, bem estruturada e é a principal motivação que vai levar o jogador a fechar o game

O jogo tem uma boa cadência, e gradativamente conseguimos acesso a novos ambientes, armas e encontramos E.T.s maiores e mais revoltados. A narrativa é o principal que impele o gamer a avançar pela estação, já que na mesma medida que realizar as missões avançam a história, aos poucos você entende melhor como a Talos I funciona, quem são as pessoas que estão nela, o que era feito e como a catástrofe com os Typhon aconteceu.

O game vai ganhando proporção na medida que vamos nos aproximando do clímax e, sem querer dar spoiler para ninguém, o final é daqueles que fazem valer o esforço do gamer de finalizar a campanha, com a sensação de que suas ações e decisões valeram a pena (vai tomando notas, pessoal do Mass Effect). Uma pena que sofre de um mal parecido com o de “Deus Ex: Human Revolution”: não tem muito poder de replay, já que muito se decide na reta final.

Precisei de 18 horas para finalizar a campanha, realizando algumas missões secundárias. Um jogador mais perfeccionista que queira zerar o jogo, de acordo com o site How Long to Beat, levará em torno de 40 horas para fazer tudo que há para se fazer nesse game.

Jogabilidade
Vários elementos interessantes, mas poderia ser melhor

Prey é um daqueles games que dá ao jogador a liberdade de jogar como quiser. Isso é possível através de uma árvore de habilidades que vão desde as mais tradicionais “atirar melhor com armas” até as mais excêntricas no melhor estilo “Mutare ad Custodiam”, onde você pode replicar as habilidades do Typhon para combatê-los, seja aprendendo a se teleportar, mudar de forma, controlar a mente de outras pessoas ou máquinas e até disparar “magias” do Typhon.

Um problema comum em jogos com múltiplas opções de jogabilidade é um menor refinamento de cada uma delas, e Prey não é diferente. Como joguei no nível difícil, os recursos eram escassos e derrotar os E.T.s não me recompensava com itens suficientes para repor o que era gasto os derrubando. Por conta disso, optei por uma abordagem mais stealth, só lutando quando não havia outra opção. É aí que me aborreci várias vezes: em alguns momentos um Typhon do outro lado da sala e atrás de um pilar me via, enquanto outro Typhon do meu lado quase esbarrando em mim nem suspeitava de minha presença. Para quem quer tentar um estilo stealth faltou também o óbvio botão de se esconder atrás de algum objeto, e eventualmente eu era visto por Typhon independente do quanto tentava me enfiar atrás de uma bancada.


Dá para ser discreto ou aprender a explodir coisas com seus poder zumbi alienígena

Jogar no “modo ninja” também eventualmente é prejudicado pelo gameplay em primeira pessoa, que não ajuda muito para entender se você está escondido e também atrapalha em outro elemento bem presente no jogo: escalar coisas. Uma das armas dispara uma meleca que forma plataformas que podem ser escaladas pelo jogador. A ideia é muito interessante e dá uma nova dimensão vertical aos cenários, sem contar a alta possibilidade de quebrar o level design cortando caminho, porém sua funcionalidade foi um tanto inconsistente durante meu gameplay. Em alguns momentos eu caía ou escalava em uma dessas gosmas e fica instantaneamente sobre ela, em outros essa ação não encaixava e eu escorregava caindo no chão, obviamente aterrissando em cima do maior Typhon disponível lá embaixo.


Apesar de suas falhas, a jogabilidade em Prey traz elementos diversos como o gerenciamento de recursos da estação (prepare-se pra reciclar muito lixo), uma árvore de habilidades diversa e outras mecânicas como a necessidade de pesquisar os monstros (no caso, ficar encarando novas aparições até a pesquisa ter acontecido), que vão manter o jogador entretido enquanto explora a estação espacial. 

Explorar a Talos I é uma das melhores coisas no jogo

Falando em exploração, aqui para mim está uma das características que mais gostei em Prey. Procurar por caminhos novos e descobrir ambientes diferentes durante o game é um dos pontos mais positivos da minha experiência com Prey, mantendo-me interessado no que estava por vir a cada nova porta. Esse elemento faz falta na reta final, quando já conhecemos todos os ambientes da Talos I e precisamos passar novamente pelos mesmo corredores, o jogo perde um pouco do ritmo, mesmo considerando a infestação crescente de novos e mais poderosos inimigos.

A reta final do jogo fica um tanto monótono. Com os mesmo cenário se repetindo e com inimigos que não são legais de serem enfrentados, terminei o jogo porque queria ver o final, não pelo gameplay que estava começando a ficar maçante. As telas de carregando também não foram muito ágeis e cortaram muito do clima, especialmente quando passava muito corrido por um ambiente.

Alguns momentos o carregando tira todo o ritmo do jogo

Um dos aspectos mais diferentes são os trechos em gravidade zero, quando saímos da Talos I ou quando por algum motivo a gravidade artificial falha. Poderia ser um grande diferencial do jogo, mas acabou virando uma oportunidade perdida, pois ficar flutuando lentamente de um lugar ao outro é uma das coisas mais morosas do game. Ficou faltando um jeito de se embalar com os braços ou chutando outros objetos, qualquer coisa que desse alguma agilidade e até mesmo verossimilhança a esse trecho do jogo. Junto com a falta de mais criatividade nas habilidades e tipos do Typhon dão ao jogo um gostinho de “oportunidade perdida”.

Os trechos em gravidade zero ficaram chatos

Gráficos e áudio
Em um nível suficiente para a imersão na Talos I

A parte gráfica de Prey está em um bom patamar. Enquanto não é uma referência estética no mundo dos games, ao mesmo tempo tem qualidade suficiente para tornar a experiência com o jogo bastante imersiva. A modelagem dos personagens no estilo quase cartunesco funciona, enquanto o estilo meio “futuro do pretérito” dá personalidade ao jogo.

Os gráficos estão bons e tem um estilo que dá personalidade ao game

Se a qualidade gráfica está em bons níveis, o que ficou muito bom foi o nível de otimização, como mostra nossos testes com o sempre de prontidão PC Baratinho. Mais do que o nosso imbatível PC de baixo custo, também precisei jogar um tempo em um notebook com gráficos integrados e, apesar de não ser algo bonito de se ver, deu para continuar o game até voltar para meu PC de casa. Nossa bancada de testes extremos, o PC Baratinho, não mente: mesmo com as básicas RX 460 e GTX 1050, deu para jogar esse game.

Falando nas trilhas, em geral o game prefere deixar a parte do áudio para os “sons da espaço” e barulhos de metal, tubulações e outros elementos da estação espacial, com apenas trilhas pontuais. Eu gostaria de ter visto mais intervenções com musicas mais marcantes, especialmente em trechos críticos da ação. 

Um elemento do áudio a se elogiar é a dublagem em português brasileiro. Na maior parte de minha experiência os personagens tiveram um bom nível de qualidade nas interpretações, e pode ser usada ao invés do inglês sem perdas na imersão ou na expressividade das cenas.

AVALIAÇÃO:

História

Jogabilidade

Som

Gráficos

Conclusão

Prey consegue entregar uma experiência imersiva de exploração pela Talos I, com um enredo interessante o suficiente para compensar a busca por audio logs e outras evidências das operações da estação e falhas que levaram à catástrofe. 

O game traz algumas mecânicas interessantes, como a árvore de evolução do personagem ou a capacidade de reciclar recursos para produzir novas armas e munições, porém eventualmente brigar com os Typhon se torna desinteressante, e no final do jogo você só quer passar por eles (e pelas telas de carregando) para conhecer o final. 

Fãs da temática espacial e especialmente de SciFi, com doses de exploração pelos ambientes da estação e múltiplas opções de caminhos, esse é um game bastante recomendável. Se está procurando um bom game de tiro ou com puzzles mais variados, aí temos um jogo que não possui tantos “truques na maga” quanto poderia ter.

PRÓS

  • Enredo interessante

  • Muita exploração pela estação

  • Boa dublagem em PT-BR

  • Decisões influenciam no desenrolar da história

CONTRAS

  • Gameplay inconsistente

  • Repetição de ambientes e monstros

  • Telas de carregando quebram o ritmo




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