Análise Teclado PCYES Nemesis RGB

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PCYES é uma marca brasileira que cresceu especialmente pela qualidade de seus gabinetes e suas fontes, mas que recentemente também entrou para o ramo dos periféricos:

O PCYES Nemesis RGB é um teclado que estive esperando já desde o ano passado, um dos poucos e raros teclados mecânicos “ABNT2” (embora vamos discutir sobre isso depois) e com um preço consideravelmente menor do que concorrentes da Corsair ou G.FALLEN:

O que será que o PCYES Nemesis RGB tem para oferecer? Qual o seu nível de qualidade? É o que veremos a seguir.

Construção Externa

O PCYES Nemesis RGB é relativamente simples em seu visual, a única coisa que chama a atenção é seu apoio para pulso, um pouco maior do que diversos outros vistos no mercado, o que para mim é um ponto positivo:

O PCYES Nemesis RGB não possui nenhum acabamento especial em sua construção externa, nada de emborrachamento em seu descanso para pulso ou em seu corpo, como fazem alguns teclados da Cooler Master. Isso não é necessariamente um ponto negativo, pois o acabamento emborrachado de alguns concorrentes tende a desgastar com o tempo.

No verso do teclado há cinco pés emborrachados e os dois ajustes de altura, também emborrachados, além de pés adicionais no apoio para pulso.

O apoio para pulso do teclado é removível, embora seja um pouco difícil removê-lo e você não podre dobrá-lo (diferente de outros apoios, como por exemplo os da Corsair, que precisam ser dobrados), senão vai acabar quebrando alguns suportes de plástico, o que foi o nosso caso:


Suas keycaps (esse plástico com algo escrito em cima) são produzidas a laser e a razão para este teclado não usar keycaps Double-Shot, como fazem a maioria dos teclados chineses, é uma única: ABNT2.

O processo de produção de keycaps do tipo Double-Shot é extremamente demorado e caro para fazer em pequena escala, até por isso que há pouca variedade em termos de fonte entre teclados chineses com Double-Shot.

Já o processo de impressão a laser, é muito simples e barato:

Até então nada de errado em sua construção, mas agora vamos falar sobre alguns erros graves que ele possui:

O primeiro erro, presente na imagem acima, é que a pessoa que projetou a grafia das teclas do PCYES Nemesis RGB não possui conhecimento da existência do “stem” da keycap, pelo qual não há como iluminação passar, causando o que é visto na direita da imagem acima.

O mesmo ocorre também em algumas outras teclas, um erro que indica a falta de conhecimento sobre teclados mecânicos de quem projetou as mesmas:

Continuando, há problemas no próprio alinhamento das teclas, algumas estão mais altas ou mais baixas do que outras:


Notem as tecla G e a tecla V, como estão fora do alinhamento.

Mas os erros infelizmente não param por aqui, o caso do numérico é ainda pior.


E também há erros nas teclas de navegação, embora estes sejam pequenos próximos aos outros:


Não sei quem foi o responsável por essa bagunça, se foi a PCYES ou se foi a Mototech, mas estes são erros inadmissíveis para qualquer teclado.

Algo um tanto complicado é que a marca afirma que seu teclado é produzido no layout “ABNT2“, o que não concordo, e a razão está na presença do “Enter ANSI” (padrão americano) ao invés do “Enter ISO” (famoso “botinha”), usado como padrão por inúmeros países ao redor do mundo, Brasil incluso:


O padrão ABNT2 é composto por 108 teclas no total, inclusive nosso padrão é diferenciado até mesmo no numérico, com a troca do “Ponto” por “Virgula”, e a adição de uma tecla adicional para o “Ponto”:


Acreditem se quiser, esse teclado de membrana Compaq SK-2800C de 1998 ainda funciona e é bom para digitar!

O PCYES Nemesis RGB possui erros amadores, os quais podem ser justificados pelo fato deste ser o primeiro teclado mecânico da marca, mas que não deixam de ser decepcionantes em um teclado deste valor. Tanto a PCYES, quanto a Mototech, que produziu este teclado, precisam admitir que erraram e aprender com estes erros.

A boa notícia é que a PCYES já nos notificou que em breve estará comercializando um novo lote deste teclado, não apenas com correções destes erros, mas também com keycaps double-shot ABNT2, o que vai aumentar o nível de qualidade deste periférico.

Por essa razão, vamos a nota deste segmento da análise em aberto e atualizaremos ela assim que tivermos notícias sobre o novo lote e a correção desses diversos erros.

Construção Interna

Como já era de se esperar, assim como diversas outras marcas brasileiras (ex: C3Tech, Dazz, G.FALLEN), a PCYES não projetou e nem produz este teclado. O PCYES Nemesis RGB é uma modificação de um teclado OEM, mais especificamente um teclado produzido pela Mototech (dona da Motospeed).

A princípio não há nada de errado nisso, a Mototech é uma boa fabricante de produtos, embora o controle de qualidade dela vem relaxando nos últimos tempos. Vamos depená-lo:

A primeira surpresa que achamos ao abrir este teclado, é uma placa de metal atrás da PCB, algo que não havia visto em nenhum teclado mecânico que abri até agora, apenas teclados de membrana, que colocam este tipo de placa para “dar peso” ao teclado e uma base firme para a membrana.

Também atrás dessa placa de metal há uma capa de borracha impedindo o contato dela com a PCB do teclado e dutos por onde líquidos possam escoar caso caiam no teclado (mas é bom lembrar que isto não torna o PCYES Nemesis RGB resistente ou à prova de nada).

Ao finalmente abrir todo o teclado, há uma ótima surpresa:

O PCYES Nemesis RGB é um teclado do tipo PCB-Mounted, o que é raro hoje em dia.

Teclados PCB-Mounted são teclados onde os switches são montados diretamente na placa lógica do teclado, e não em cima de uma placa de aço ou alumínio.

As desvantagens deste tipo de teclado, é que acabam sendo mais leves (o que não é o caso do PCYES Nemesis RGB por causa de sua placa de metal) e é pior para o marketing, pois muitas marcas gostam de usar os dizeres “feito com uma placa de alumínio para maior durabilidade” quando falam de seus teclados mecânicos.

Qual a vantagem então? Essa:

Teclados PCB-Mounted permitem que você abra e customize o switch sem a necessidade de mexer com solda. Quer tirar o sistema de click? Quer deixar a tecla mais leve trocando a mola? Deu algum problema no switch e você quer limpar o sistema de ativação? O PCYES Nemesis RGB vai permitir isso.

As soldas do teclado são bem feitas e há indicações para cada um de seus componentes, a placa é muito organizada:

No coração do teclado, encontramos a controladora Vision VS11K09A, o que junto à similaridade da PCB, ao software e ao fato de que é possível usar o software do CK108 no PCYES Nemesis RGB após copiar o arquivo “Nemesis RGB.exe” para a pasta do driver do CK108, realmente prova que ele é um teclado da Motospeed.

Já sobre os switches, o PCYES Nemesis RGB usa switches produzidos pela Kailh, que já é uma velha conhecida do ramo de periféricos. Sobre a Kailh, volto a dizer o que falei na análise do Tt eSports Poseidon Z RGB: a Kailh de 2017 é muito diferente da Kailh de 2013.

A atual Kailh, é muito diferente da antiga Kailh

Para quem não conhece o ramo de teclados mecânicos, a Kailh foi uma das primeiras empresas a produzir cópias de switches Cherry MX em grande escala após a virada do século. Antes disto, houveram diversas empresas que fizeram cópias, mas basicamente todas acabaram desistindo após o mercado de teclados mecânicos deixar de ser rentável em meados da década de 90.

O problema, meus amigos, é que os primeiros switches da Kailh eram realmente ruins. Um controle de qualidade muito inferior ao da Cherry, plástico de qualidade duvidosa, inconsistências em switches do mesmo lote, gerando problemas como teclas precisando de mais força que outras para acionar… Realmente, a Kailh nos anos de 2012, 2013 e 2014, foi sinônimo de má qualidade.

Mas, ao mesmo tempo, a Kailh foi pioneira e, sem ela, empresas como a Gateron, Gaote (Outemu), Greetech e diversas outras não fariam switches mecânicos hoje, pois ela provou que havia mercado para switches alternativos ao Cherry e deu a cara ao tapa. Aliás, se não fosse a Kailh, possivelmente não teríamos RGB em teclados mecânicos atuais, pois ela foi a primeira a implementar a tecnologia e a Cherry só correu atrás do prejuízo.

Então, o que dizer dos switches da Kailh no PCYES Nemesis RGB? Bom, o que posso afirmar após ter testado três outros teclados recentes com switches Kailh é que não consigo notar as inconsistências que haviam em meus outros dois antigos teclados da marca.

Em teclados como o antigo Tesoro Lobera Supreme feito no início de 2014, era fácil notar que algumas teclas precisavam ser pressionadas mais a fundo para ativarem, além da tecla Windows falhar esporadicamente. O mesmo não acontece em teclados mais recentes.

Ao longo do tempo a Kailh foi realizando mudanças em seu switch, materiais estão diferentes e o controle de qualidade melhorou consideravelmente, mas a imagem que a Kailh recebeu pelos primeiros teclados, é algo que tempo nenhum irá conseguir reparar, apenas a troca de nome poderá resolver essa situação.

A Kailh de hoje já não é mais a Kailh de ontem, ela melhorou consideravelmente seu nível de qualidade, mas também não vamos exagerar, né PCYES?

A Kailh está sendo uma boa marca hoje e seus switches estão bem adequados à faixa de preço na qual o PCYES Nemesis RGB se situa, mas chamar ela de “uma das melhores do mercado” é exagerar um pouco…

Enfim, o Motospeed CK-, digo, PCYES Nemesis RGB é um teclado caprichado e interessante em seu interior, excelente para quem quer realizar modificações em seus switches e de fácil manutenção por ser um teclado do tipo PCB-Mounted.

Recursos e Extras

Diferente de outros teclados RGB de baixo custo, o PCYES Nemesis RGB é um teclado que realmente é RGB, nada de apenas oito cores como o Motospeed CK104, Patriot Viper V760 ou o G.FALLEN Falcão Peregrino.

Isto permite ao PCYES Nemesis RGB efeitos de iluminação mais fluídos, mas além disso há também um software, permitindo customização destes efeitos e também macros:

O que notei logo ao ver este é que o mesmo é uma modificação do software do Motospeed CK108, mas com diversas correções ao péssimo inglês da Motospeed, além de nomes de efeitos que realmente fazem sentido:


Infelizmente o modo “Fast and the Furious”, não começa tocar a música See You Again

Embora a PCYES não tenha mudado muito o software, pelo menos ela corrigiu o inglês fracassado da Motospeed, além de ter feito uma excelente tradução para PT-BR, e estão de parabéns por isso.

O PCYES Nemesis RGB possui uma interface em Português Brasileiro, mas ela não funciona no software que baixamos do site oficial da marca. Para fazer o software ficar em PT-BR, a solução que achamos, foi modificar o arquivo “language.ini” que está dentro da pasta “Skins” onde o driver está instalado, e trocar a linha “language=1” por “language=0“.

Enfim, o PCYES Nemesis RGB possui três perfis customizáveis em seu software, sendo que é possível configurar cada uma de suas teclas para diferentes funções, seja uma tecla individual:

É possível configurar macros e o sistema é bastante simples e fácil de editar, embora não há opções de playback fora o número de repetições, que é limitado em 255 (ou seja, não é possível criar uma macro que rode infinitamente ou até que você queira parar ela):

E pode-se configurar teclas para responderem como funções multimídia. Assim, teclas que você pouco usa (ex: Scroll Lock e Pause) podem ser configuradas para funções mais úteis (ex: aumentar e diminuir o volume).

Continuando, vocês devem ter visto o botão “Macro” no menu principal do software, a janela desse modo de configuração é basicamente a mesma que vimos antes, mas agora podemos criar macros sem especificar qual tecla acionará a macro:

Voltando ao menu principal, o PCYES Nemesis RGB possui 18 efeitos de iluminação, e mais um efeito onde pode-se customizar individualmente a cor de cada tecla. São efeitos relativamente simples e não há como integrar o teclado a jogos e nem há programas que permitam que o teclado reaja ao som do computador como é possível fazer em teclados de alguns concorrentes.

Alguns efeitos possuem um maior nível de customização que outros, permitindo que seja configurado a cor do efeito e direção do efeito:

Já o efeito que permite personalizar a iluminação do teclado, é bastante simples, permitindo uma cor de fundo e já contendo algumas configurações, tal como “FPS, MMO, MOBA e RTS”.

O software do PCYES Nemesis RGB é simples, apenas o software do Motospeed CK108 mas sem besteiras escritas nele, bem traduzido (embora seja necessário modificar ele para deixar em PT-BR) e fácil de usar. Não é um software tão completo quanto o de concorrentes como a Corsair, Logitech ou Razer, mas para um teclado mais barato que estes, faz um bom serviço.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

Construção Interna

Recursos e Extras

Preço

Conclusão

O PCYES Nemesis RGB é um teclado bem construído, com um número interessante de recursos e um sistema de iluminação simples mas adequado para seu preço, que está girando entre R$ 430~500, um valor competitivo comparado a outros do mercado brasileiro.

Comparado a outros teclados mecânicos ABNT2 RGB, ele possui um melhor preço e é mais completo do que o G.FALLEN Falcão-Peregrino, além de ser muito mais acessível do que alguns teclados da Corsair.

Mas os erros amadores em suas keycaps, assim como o fato de se apresentar como teclado “ABNT2”, mesmo sendo uma mistura bizarra entre os layouts ANSI e ISO com ABNT2 impresso por cima, são detalhes preocupantes e que podem afastar potenciais compradores.

A boa notícia, é que a PCYES já nos comunicou que está trabalhando para corrigir seus problemas e irá não apenas corrigir, mas adicionar keycaps do tipo Double-Shot ao teclado, o que irá aumentar o seu nível de qualidade, e será possivelmente o primeiro teclado mecânico ABNT2 com isto, o que é um excelente diferencial para o teclado.

No estado atual, o PCYES Nemesis RGB pode até ser motivo de piada para alguns devido a seus erros, mas acreditamos que a PCYES tem capacidade de usar seus erros para melhorar, e por isto deixaremos a nota desta análise em aberto, até que tenhamos informação sobre estes novos modelos corrigidos e melhorados do Nemesis RGB.

Devido à promessa de correções, deixaremos a nota desta análise em aberto

Espero que a marca consiga corrigir tudo, pois um teclado mecânico ABNT2 com RGB e keycaps Double-Shot na faixa dos R$ 500, será uma excelente escolha para quem possui preferência por ABNT2.

PRÓS

  • Ótima Construção Interna.

  • Ótimo Preço

  • PCB-Mounted, o que facilita customizações e manutenção de switches.

  • Software simples, bem traduzido e fácil de usar.

CONTRAS

  • Erros amadores e inadmissíveis em suas keycaps.

  • Para usar o software em PT-BR é necessário modificar arquivos dele.




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